A prova em que a massa e a imprensa especializada aguardavam a coroação de DARYZ (Sea The Stars), foi abençoada com um tempo bom e finalmente uma pista de grama que ninguém pode reclamar. Palco de gala para a versão 2026. Antes da prova, muita controvérsia sobre a questão do sorteio das balizas. Em minha opinião, tem caroço debaixo desse angu. Cada vez mais fica evidente o favorecimento de alguns animais caseiros no sorteio. De qualquer modo e ainda bem, durante a prova nem o ritmo nem as balizas decidiram. Quem venceu, o fez porque tinha mais café no bule. Algumas curiosidades do percurso. Oisin Murphy, com o segundo colocado Bay City Roller, utilizou a "avenida Dettori” em Paris e quase quebrou a banca do cassino. As fêmeas tiveram de se contentar as colocações subsequentes, respectivamente Diamond Necklace, apesar da baliza desqualificante e a Friendly Soul, em corrida honesta.
O grande destaque foi a consagração de DARYZ, que tinha aprontos impecáveis, mostrando toda a sua superioridade física e maturidade mental para conseguir um dublê do Arco que um macho não atingia desde Alleged, no longínquo ano de 1978. Conduzido de forma principesca e com muita confiança por Mikael Barzalona, a vitória dele coloca ainda mais em evidência o trabalho do treinador Francis-Henri Graffard e a sequência dinástica de resultados do Stud Aga Khan. DARYZ é um filho de Sea The Stars, que até a vitória do ano passado ainda não havia conseguido produzir um ganhador do Arco. Há coisas que apenas o tempo corrige. Ele traz no sangue tudo que a maravilhosa produtora Daryakana tem de bom, mesclando a prepotência do descendente de Cape Cross com o vovô Selkirk. Só de pedigree em negrito, a mamãe produziu Daryan, Devamani, Darabad, Darkaniya, DARYZ e Dariyza. E tem ainda Daryzan, prontinho para aumentar seus feitos na reprodução.
Em termos de números, o cruzamento entre Sea The Stars e as filhas de Selkirk só funcionou com o bicampeão do Arco em 16 produtos registrados. Aqui claramente qualquer reprodutor foi bem servido pela matriz. Não temos como fugir dessa realidade. O garanhão e papai orgulhoso, tem 152 produtos ganhadores de provas black-type, com mais de 12% de resultado ponderado por animal corrido e supera os demais garanhões com ganhos em pista 241% acima da média. Uma fera! E provavlmete irá produzir ainda mais ganhadores desta prova.
Para finalizar, o fim de semana demonstrou apenas a dominância de DARYZ. Entre os envolvidos de todos os lados, as provas foram bem distribuídas. Vale destacar que AMUSINGLY, uma irmã inteira do reprodutor Array, venceu os machos no Prix Jean-Luc Lagardere. De resto, não houve um jóquei dominante, um reprodutor muito superior ou coudelarias com muitas vitórias. A sorte sorriu para muitos. Em tempo, a seca e o vírus continuam ativos na cocheira de Aidan O’Brien. Estava quase fechando aqui o artigo, mas voltei para dizer que ele conseguiu uma vitoriazinha no último clássico parisiense, ou seja, não vai voltar para casa fazendo tão feio. Mas de qualquer forma parece que 2026 será um ano para se esquecer em Ballydoyle. Era isso por hoje. Até logo mais com a Live de segunda-feira, contando com a presença do convidado especial, José Carlos Vaz Guimarães.
Abs, Baronius