



É dificil ter alguns minutos de Helen Pitts pela manhã.
Ela que por muito tempo foi capataz, hoje tem seu próprio barn, mas quer ter seu dedo colocado em tudo. Como toda boa mulher, não dá ordens. Ela mesmo o faz. Ao contrário de treinadores que preferem viajar o mundo e estar mais perto dos leilões do que sua cocheira, ela não perde um minuto sequer da vida diária de seus cavalos. Separa a comida, passeia seus cavalos, monta em seu poney para ir a pista e acompanhar os galopes e trabalha quando é necessário seus principais cavalos. O que menos se preocupa é com sua promoção pessoal. É timida e de poucas palavras. Nunca conta história e sempre se mantêm direta no assunto.
Foi assim com Hard Buck, é assim com Einstein. Sou testemunha ocular disto. E acredito que será sempre assim, pois, ela não acredita que as coisas possam ocorrer de outra forma. Não tenho dúvidas que o sucesso destes dois cavalos - que tive o privilégio de selecionar - são baseados na força de trabalho desta mulher e de sua equipe. Um grupo unissono que a respeita, não a teme.
Helen não quer ter sonhos megalomaniacos. Quer treinar seus cavalos e conviver entre eles. Nas corridas se mantêm com amigos e seus funcionários no bar a se divertir. Curte o que faz. Não o faz para ganhar dinheiro ou projeção. faz porque esta é a coisa que mais gosta de fazer. Um ser envolvente, mas completamente distinto dos demais colegas em sua profissão.
Aqui um diálogo relâmpago, que travamos na manhã de terça feira em Gulfstream, no breaking das 8.45 horas .
RG - Helen, você teria um minuto?
HP - Para você dois.
RG - Helen quando você sentiu que tinha em suas mãos algo especial, em se tratando de Einstein?
HP - Creio que desde que que coloquei as mãos nele. Não sabia se ele seria um cavalo bom ou não. Mas agia qual um. Tinha personalidade, sempre alegre e atento. Nos primeiros galopes que ministrei, senti-o deslisar. Leve e com firmeza profissional no que fazia. Comia bem, estava sempre disposto. E dai para frente ele só demonstrou qualidade.
RG - Em uma comparação com Hard Buck, que você igualmente iniciou e creio que juntamente com Hanne o transformou em um grande cavalo de corrida, o que você poderia dizer?
HP - Cavalos distintos. Hard Buck tinha também uma forte personalidade, mas era um cavalo mais delicado. O tempo demonstrou serem também de aptidões distintas. Ambos de extrema qualidade no que faziam. Ambos capazes de correr em qualquer hipódromo. Ambos fáceis de se treinar e viajar.
RG - Helen por que o Donn e não o Gulfstream Park Turf?
HP - Os donos assim o quiseram. Eu particularmente preferia mantê-lo na grama. Acho que ele pode correr no dirt. Já provou isto. O problema é que ele ama o de Churchill Downs e odeia o de Gulfstream. Mas tem classe e coração e isto é o que vale no final.
RG - Dubai, depois?
HP - Eu preferiria o manter aqui, pois, penso que talvez esta seja sua última temporada. Mas existe muito dinheiro em jogo em Dubai. Os donos parecem querer traçar este caminho. Você conhece bem Dubai. Lá pode vir a ser a sua última carreira.
RG - Mais cavalos brasileiros em sua lista?
HP - Você achou a ambos. Ache outro e eu terei prazer em treinar. Não quero ter meu barn maior do que está. 30 cavalos me parece um bom número. Quero olhar para a qualidade não a quantidade. O que for bom, será bem recebido.
RG - Você pouco a pouco vai firmando seu nome no Brasil.
HP - Faço o que tem que ser feito. Fico feliz que algumas pessoas reconheçam.
RG - Boa sorte este fim de semana.
HP - Obrigado, creio que vou necessitar dela.


