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sábado, 27 de junho de 2009

PAPO DE BOTEQUIM - JUNHO 27


Um amigo de longa data, que diga-se de passagem nada tem com os cavalos de corrida, outro dia entrou em meu blog e justamente quando este estava encabeçado por um papo de botequim. Me mandou um e-mail e neste perguntou porque eu escrevia uma nota como papo de botequim se ele que me conhecia fazia tempo, sabia que eu não era boêmio e muito menos chegado a bebidas alcoólicas.

Lembrei a ele então que quando jovens ele muitas vezes me acompanhou ao Jangadeiros, ao Castelinho e ao Veloso, nunca bebi, mas nunca deixei de freqüentá-los.

Muita gente associa o botequim, ou tentando ser mais fino, o bar a necessidade de se ingerir bebidas alcoólicas. De ser boêmio. Posso tranquilamente sentar em qualquer bar, pedir uma Coca-Cola e curtir o que está acontecendo a minha volta. As coisas nunca são o que parecem ser, mas para se notar este fato é necessário ter-se, um certo grau intuítivo em seu senso de ambiguidade e ambivalência.

Respondida a curiosidade do dileto amigo, vamos ao que interessa.

Sempre acreditei que se há uma lei, ela deva de ser cumprida. Da mesma forma que acredito que em certos assuntos, não deva haver leis. Criar normas de pedigrees para se importar cavalos de corrida para mim é uma delas. Primeiro por ser exotérica e segundo por que tole a iniciativa privada de qualquer investidor.

Se a pessoa tem o dinheiro e acredita que um Cigal, que nunca correu, possa ser garanhão que o faça. Assim como alguém que opte por um Earldom que não ganhou nenhuma daquelas provas especificadas aleatóriamente por cicrano ou beltrano. A empreitada, em meu parecer, deve ser livre. Paulo Francis uma vez escreveu “que acha a sociedade liberal a única potável. É Imperfeita, sim, mas o que não é na vida?”

Concordo, pois, ainda sou daqueles que acredito que a iniciativa privada cria não só prosperidade, quanto empregos e torna-se assim a mola mestra do desenvolvimento. Estados totalitários, aqueles que priorizaram o controle e a normatização de tudo em que pudessem intervir, acabaram tendo que construir muros ou criando sistemas punitivos que coibissem a migração de suas populações para sistemas mais livres. E todos, quase sem exceção ruíram. e os que não ruíram andam mal das pernas.

Estou escrevendo isto porque estou em vias de importar um reprodutor que necessita de uma aprovação do ministério da agricultura, pois, não se enquadra nas normas estabelecidas pelo Stud Book Brasileiro. O cavalo ganhou 9 clássicos. Outrossim, descobri que na mesma situação estava um dos melhores cavalos que vi correr em minha vida. Artax. Imaginem, um cavalo de um nível que não vi qualquer um cavalo brasileiro se apresentar em pista, ter que ser referendado para pisar em nossa terra. E tudo isto porque? Porque nesta lei, Artax classifica qualquer irmão matungo que ele possa ter, mas nunca a si próprio. Vocês não acham isto insano? No minimo bizarro!

Eu sofri na pele este mesmo problema quando convenci ao criador Ronald Schulze há muitos anos atrás, a adquirir a champion sprinter peruana Frau Astrid. Fomos colhidos de surpresa ao descobrirmos não bastava a ela vir e sobrepujar todos os BRZs inscritos em uma prova internacional de graduação máxima. Era pouco, ou melhor nada! E isto minutos depois dela desbancar a tudo e a todos aqui mesmo no Brasil, na disputa da mais importante prova do quilômetro em Cidade Jardim. Pasmem, ela teve que voltar ao Peru e lá ficar. Até que Deus apiedou-se de tanta baboseira e fez com que um irmão dela, que não passava de um pacemaker, um dia não parar e ganhar uma prova de graduação 1. Aí ela pode vir.

Deveríamos ter mais preocupação com que tipo de cavalo que trazemos. Não apenas com a classe que ele apresentou em pista, seu fisico e seu pedigree. Em minha opinião acredito que igaulmente devamos nos preocupar em trazer aquilo que um determinado centro criatório necessita. Por exemplo, São Paulo. Sempre afirmei aqui que se trata do maior centro depositário de stamina em nosso pais. Porque trazer só cavalos de fundo? Sagamix foi uma tragédia grega. Mesmo Trempolino, que em Bagé esteve pelo menos na média, em São Paulo foi um atentado ao pudor. Temos a seguir, dois anos de Sulamani e pelo menos um de Sinndar e Linngari. Será que estes três últimos mudarão o curso desta tendência que parece nefasta? Teriam os criadores paulistas em suas éguas esta velocidade que elementos de fundo, como a maioria dos reprodutores trazidos para São Paulo, não o têm. E se as tem, estão sendo alertados para o fato? Espero que sim, pois, os importados foram bons cavalos de corrida. Classe não lhes faltavam. Mas Trempolino também tinha classe e até ganhou o Arco em recorde com uma insinuante aceleração final. E o que fez por São Paulo?

São Paulo precisaria sim de velocidade. De um Artax, por exemplo. Um cavalo que correu com sucesso até os 1,800m batendo o que melhor havia em sua geração e após disto foi estabilizado no sprint, onde bateu recordes importantes como o de Mr. Prospector e Dr. Fager. Com éguas de fundo (coisa que nunca recebeu nos Estados Unidos) poderia se transformar num must. Em contrapartida onde estará servindo, a velocidade já é o primordial. Será que sem a inclusão de stamina clássica poderá se tirar dele, tudo o que ele supostamente pode transmitir. Cairmos na mesma esparrela, usando o mesmo tipo de cruzamento que o caracterizou e que acabou por transformá-lo em um fracasso nos Estados Unidos, não me parece uma medida inteligente. Talvez o mais ao sul de São Paulo, necessitasse de um Sinndar.

Ouvi dizer que Peace Rules virá dos Estados Unidos, também para São Paulo. Se assim o for, acredito que seja uma ótima opção que o criador paulista possa ter. Tinha classe, velocidade, é filho de um reprodutor que já provou ter dado certo por aqui e acima de tudo tem um fisico que se ele transmitir ai, como transmite aqui, vai ajudar em muito nossa criação. O mesmo digo do nacional Top Hat, um cavalo de um coração colocado a toda prova e filho de alguém que está acima de qualquer suspeita no território brasileiro: Royal Academy. Contra a si, apenas o fato de não ter sido testado no hemisfério norte. Mas um outro nacional, que parecia muito com ele, igualmente não o foi, e saiu-se bem: Clackson. Entre os que estreiam, acredito que estão entre os confiáveis na aérea paulista.

De forma distinta, o TNT deu um passo largo. Trouxe um, ao invés de três ou quatro. Todavia, um que é capaz de produzir o máximo que um criador possa exigir. Em pista Elusive Quality bateu um recorde mundial, e embora tenha produzida apenas uma média razoável de cavalos clássicos, provou duas coisas, para mim, muito importantes: dá um fisico explendido e pode produzir o cavalo que o levará a qualquer lugar. Desde Royal Academy que este poderoso criador, não havia trazido algo, de semelhante porte.

Qual teria sido o segredo do sucesso de Spend a Buck? Para mim, ele recebeu no Brasil o que não lhe era ofertado nos Estados Unidos: rusticidade. No pais de seu nascimento ele produziu apenas um ganhador de graduação máxima e justamente com uma bruta reprodutora argentina, filha de Praticante. No EUA ele esteve numa fazenda de luxo, recebeu boas éguas e fracassou. Não havia um linha de éguas ou um tipo de pedigree. Eram éguas avulsas, vindas de todas as partes. Diferente de alguém por exemplo que tenha servido nas liedes de Aga Kha, Khaled Abdullah ou Paul Mellon e ai não tivessem dado. Neste caso eles não darão nada em lugar algum.

Royal Academy é outro que recebeu boas éguas mas sem uma seleção de linhas maternas ou estruturas genéticas. Foi e é um garanhão acima da média. No Brasil extrapolou. Acho que se os orgãos normativos queiram manter leis, estes relativos a adequação, poderiam ser parâmetros mais importantes do que os usuais.

Buckaroo e Nijinsky, pais dos dois últimos citados e que para mim foram os melhores elementos importados para o Brasil nesta última década, coincidentemente são considerados chefes de raça, o que corrobora minha tese que quanto mais nos afastarmos dos chefes de raça mais serão as nossas chances de não desenvolver o sucesso que aspiramos. Faça o teste e veja, principalmente a quantas gerações está o primeiro chefe de raça.

Eu aconselharia ao novo presidente da ABCPCC que abolisse com qualquer lei normativa de importação. A interpenetração entre mercados é de incontratásvel importância para o desenvolvimento do mesmo. Inibir com a iniciativa privada para mim é a corporificação de fustrações e ressentimentos. Não vou discutir a lei, pois, na verdade penso que ela nunca deveria ter existido. Mas aceito o fato que por alguma razão - que não posso sequer supor - na época ela fosse válida, fizesse sentido e que alguma forma tinha como intenção uma grande contribuição para o desenvolvimento de nossa atividade. O que na verdade pode não ter acontecido.

Lembro-me que quando decidiram fechar no Brasil o setor da informática, reservando-a como uma espécie de direito único à industria nacional, quão pernicioso isto foi para com o desenvolvimento desta industria. Foi a tentativa de se reinventar a roda e descobrir novamente a pólvora. Não comparo as duas leis, pois, esta última foi mais do que insana. Foi irreal. Totalmente destituída de propósito.

Devemos importar. Sim. Importar e muito! Quanto mais BRZ em nosso pedigrees, menores serão as chances de sucedermos no hemisfério norte. Sou um defensor do reprodutor brasileiro. Redattore e Hard Buck estão mantendo minha tese viva. Cavalos brasileiros que se provaram no hemisfério norte. Aliás, sou defensor de todo reprodutor que tenha aquilo que considero básico, independentemente da nacionalidade do mesmo. Mas em se tratando do produto nacional, preferencialmente aqueles que provaram no outro hemisfério serem cavalo de mesmo nível que o coêtaneo estrangeiro, me parece um raciocínio lúcido. Se não elementos que tenham o pedigree e possam ter demonstrado em pista nacionais serem seres diferenciados. Mas tudo regido pela iniciativa privada.

Hoje pelo menos há gente especializada no Brasil para selecionar e trazer reprodutores. Se estes reprodutores estão sendo trazidos para os centros que mais possam se aproveitar deles, melhor ainda. É o que esperamos. Nada tenho com os garanhões aqui citados nesta nota, além de uma ligação a Hard Buck de dois breedings rights, que uso-os para minhas éguas, pois, não mais vendo suas coberturas, nada que me ligue profissionalmente.

O que afirmo sobre colocar o reprodutor no centro reprodutivo onde ele possa ser mais bem aproveitado, não é uma norma, nem mesmo uma opinião. É apenas uma observação. E observação se leva em conta ou não. Lei, infelizmente tem que ser cumprida...