Gostaria e estar falando aqui de algo mais interessante. Todavia a suceção de fatos noticiados após a descoberta do ato de dopagem, pela comissão de corridas do Jockey Club de São Paulo, parece ser um poço sem fundo. Pelo que entendi o treinador Leandro Guignone pegou dois anos e meio de suspensão, outrossim, parece ser acusado de estar suspeito em mais alguns casos. O que complicará ainda mais sua futura vida profissional. Não acredito que o Jockey Club, como entidade esportiva tenha que fazer absolutamente mais nada do que aplicar o código nacional de corridas, pois, ele é claro. Prevê inclusive o período de condenação pelo dolo impetrado. Se a entidade se achar lesada em instancias maiores, que passe o problema para o ministério de justiça e deixe que este decida se existe campo para um processo criminal.
Os comissários de corridas, não são juízes nem policiais. São apenas pessoas que prestam serviços a entidade, aplicando a lei existente dentro de um código pré estabelecido. Nada mais do que isto. Pressões de A, B ou C não me parecem justas ou mesmo cabíveis.
É triste, mas mesmo sendo um talentoso profissional, Leandro Guignone errou e deve pagar por seu erro como outros profissionais o fizeram e hoje estão ainda em atividade após o cumprimento de suas respectivas penas. O que não entendi muito foi outro fato: o do consagrado treinador Dulcidio Guignone ter sido convidado a se retirar do centro de treinamento que ora milita. Me pareceu um ato intempestivo e impensado. Sei que o dono do mesmo, ou de qualquer outro centro de treinamento, tem o direito de deixar nele trabalhar o treinador que assim melhor lhe convier. É o seu direito de propriedade. Mas há de se convir que Dulcidio Guignone é entre os que ora ali transitam, o que melhores resultados obteve. Diria mais: ele foi um dos profissionais que fez o centro ter o nome que tem, com seus resultados.
O noticiário que acompanho, mas do qual não participo - pois, acho que existe coisa bem mais producente do que ficar entrevistando treinadores, dirigentes e proprietários em investigações de cunho quase policial - afirma de Guignone está fora do centro de Treinamento Itajara e ainda sem rumo determinado. Tenho plena convicção que o centro em si não determina a qualidade de performance de um cavalo. Aqueles bonequinhos com as cores de proprietários que ganharam grupo 1, não são fruto do centro e sim dos treinadores que determinaram aquelas vitórias. Não sei se os bonequinhos vão com estes treinadores, quando estes saírem ou forem convidados a sair. Talvez devessem.
Existem outros centros de treinamento melhores e bem mais aparelhados do que o referido. Logo, quem determina esta qualidade de performance em um cavalo de corrida é o treinador que o treina. Assim sendo, depois, depois de um breve período de adaptação a outra pista, Guignone deverá exercer seu trabalho onde quer que seja, com a mesma eficiência. O que não garante que o treinador que o substitua possa exercer o mesmo domínio, como ele o fez até o presente momento, no cenário turfístico nacional, apenas por treinar no centro ao qual Guignone foi convidado a afastar-se.
Não entendo porque ele foi convidado a sair? Outrossim, não é minha obrigação entender, justificar ou exigir explicações. Como observador diria que a suspensão que ele cumpre e o caso do cavalo que tirou quinto no Derby em São Paulo, sob a tutela de um substituto seu e parece ter sido igualmente pilhado com uma substância qualquer no exame anti-dopping, não o fazem um pária como a coisa parece estar pintando no contexto geral. Mas volto a repetir, é direito daquele que tem a propriedade do centro querer que ele se retire, como também em uma atitude anti-esportiva não deixe que um cavalo seu tire a foto da vitória em um Grande Prêmio São Paulo.
Lembro-me do caso Gabriel Meneses e como este outro profissional foi perseguido dentro do Jockey Club de São Paulo. Ele que deveria ser a meu ver, o chefe da escolhinha de aprendizes, pois, foi um grande jóquei quando em pista. Episódios como estes deveriam ser evitados. Não se forma ou se mantém um quadro de profissionais perseguindo-os ou eliminando-os e sim punindo-os no rigor do código e dando-lhes a chance de voltar a sua atividade.
Espero que todos os profissionais envolvidos sejam punidos dentro do rigor do código nacional de corridas. Penso que todos devam cumprir o período de condenação de suas respectivas penas. Mas anseio que não se criem depois revanchismos e perseguições de quem quer que seja. Aprendi que meu pai, que qualquer patrão deve ser rigoroso com seus subalternos, mas nunca injusto e muito menos desrespeitoso. Todos nós somos factíveis ao erro e todos nós devemos ser punidos pelos mesmos. Mas nunca marcados eternamente pelo erro cometido.
A situação é forte, pois, os dois principais protagonistas, tanto pai como filho, são profissionais bem acima da média, e como tal igualmente factíveis a inveja de outros profissionais que esperam vê-los longe das disputas do dia a dia. Facilitaria a estes pobres de espírito em muito – se é que eles possam existir - suas ascensões profissionais. Anos atrás uma outra comissão de corridas deste mesmo hipódromo de São Paulo, tentou banir um profissional, que se manteve em atividade com um recurso garantido e obtido dentro da lei. Na época chegou a ser publicado nos programas que este citado profissional continuava no exercício de sua profissão contra a vontade desta comissão. A coisa não diluiu-se bem e o profissional está até hoje exercendo sua profissão. Se não me engano, sem nenhuma outra punição até o presente momento. Desta forma, creio que punições devem ser executadas e na maioria dos casos funcionam, sem reincidências graves por parte dos punidos. Mas nunca perseguições e muito menos “alijamentos”.
Quero novamente repetir, pois, repetitivo sou. Nenhuma ligação pessoal ou profissional tenho com os principais implicados neste surto. Acompanho suas respectivas carreiras, como as dos demais. Como estatístico e analista que sou, evidentemente tenho mais respeito a profissionais que obtém grandes resultados do que aqueles que não ganham, quebram cavalos e embora não sejam pegos por medicação, mesmo assim, afastam mais proprietários da atividade por sua total inabilidade em exercer sua profissão com sucesso. Dopping, por mais forte que o seja, não faz uma cadeira correr, nem um cavalo de claiming bater a um verdadeiro campeão. Deve ser coibido e preferencialmente banido, para que todos tenham a mesma chance dentro de pista. Porém nunca rotulado como a razão pelo sucesso deste ou daquele profissional, quando este apresenta uma série histórica.
Que todas as partes que interagem no processo o conduzam com lisura e justiça, dentro da lei do código nacional de corridas. E que aqueles que se considerem lesados ajam da maneira que a sua consciência assim o exija na área da justiça comum.
