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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

PAPO DE BOTEQUIM: PRADA OU J. C. PENNY?

Vou tratar hoje de dois assuntos que causam controvérsias. E se causam controversias, são no mínimo importantes.

Tenho um blog, O Ninho do Albatroz, e muita gente que lê, se sente a vontade de contactar-me. E o fazem a miude. Oito a dez por dia. Alguns destes usam o expediente do e-mail com as mais diferentes indagações. Umas inteligentes, outras ridiculas, algumas fáceis de responder, outra dificieis. E existem até as impossíveis de conceber, que dirá responder. A partir dai, seleciono o que, em meu humilde parecer, é digno de atenção e respondo dentro de minhas possibilidades. Uns aceitam, outros não.

Outro dia recebi uma pergunta simples, direta, mas dificil de ser respondida. Como eu conceituaria um profissional de treinamento de alto nível. Seria aquele que ganha mais grupos 1? O que tem o maior percentual de vitórias?  O que fatura mais dinheiro para seus clientes? Que encrenca...

Acho que um passo deve ser dado antes de se escolher o profissional que será responsável pelo treinamento de seus cavalos. Cada um tem que primeiro pensar o que quer do turfe e então procurar a aquele treinador que mais resultados apresenta naquilo que você anseia conseguir. Eu não fujo a regra. E, desta forma, vou dar a minha opinião, que como se trata de uma opinião, é portanto sujeita a gosto pessoal. Pode ser aceita ou rejeitada, mas é a que serve aos meus propósitos.

Eu vivo para as grandes carreiras, assim sendo aquele que ganha muito, mas não ganha provas importantes, não é o meu tipo de treinador. Tenho a mesma opinião em relação a reprodutores. Procuro por aquele que tem ou preferencialmente já provou capacidade de produzir o cavalo diferenciado.

Vejo alguns treinadores levarem seus cavalos a um determinado ponto e ai, em vez de arriscar um degrau maior se mantém ali estaganados, ganhando carreiras sem importância e fazendo crer a seus proprietários, que está provendo-o com um grande serviço. destes eu não preciso. É bom para encher uma parede de fotografias, mas não tão bom para preencher as prateleiras de taças.

Outro fator que deve ser levado em conta: chegar no topo da pirâmide é difícil. Lá se manter, mais ainda. Assim sendo treinador para mim tem que ganhar o grupo 1 e manter o seu cavalo naquele nível por mais de duas temporadas. O João Maciel é um exemplo deste tipo de treinador. Aqui nos Estados Unidos, por um período o Richard Mandella, foi aquele que mais teve este perfil. Tenho verdadeiro pavor daquele que prepara o cavalo para aquela carreira e depois disto, o cavalo se torna incapaz de ganhar outra carreira similar pelo resto de sua existência.

Vou levantar um ponto polêmico. Acredito que o controle anti-doping no Brasil seja rigoroso. Mas o seria na Argentina? Se é ou não, não posso afirmar. Apenas observo que os cavalos brasileiros, correm mais quando levados a Argentina do que quando aqui. Até ai alguém pode dizer que a turma por lá anda fraca. Possivelmente acima dos 2,000m. Mas porque todos estes, depois de ganhar a grande carreira, são vendidos, mas nada conseguem de realmente produtivo quando levados a centros rigorosos em relação a medicação. Exemplos? São vários. Mas prefiro passar batido. Observem e notarão. Não é dificil achá-los.

O outro assunto é igualmente complexo. Inicio afirmando que sou daqueles que acredita que o ser humano deve pagar por todo e qualquer prazer que queira desfrutar. Do cinema, até o cruzeiro maritimo. E o cavalo de corrida é um deles. Outrossim, pagar por uma mesma coisa duas vezes, não consigo conceber. Vou explicar melhor.

Recebi por e-mail a comunicação que três cocheiras em Cidade Jardim estavam a venda. Apavorei-me, pois a debandada se tornou publica. Ai eu me perguntei: venda de que? Dos direitos de uso? Seria alguém que os adquiriu tempos atrás e agora estava tentando repassá-los. Diversas são as razões de alguém querer repassar este direito para outro. Não cabe a mim discuti-las. O que não entendo é como alguém pagou uma determinada quantia para poder usar um grupo de cocheiras em Cidade Jardim, na Gávea ou onde quer que seja e ainda por cima é obrigado a pagar um aluguel sobre este direito já adquirido.

Teriam os primeiros que adquiriram este direito ao hipódromo ou a alguém que recebeu estes direitos de graça deste mesmo hipódromo? Há de se verificar, pois se a situação for a primeira, este individuo não pode ser cobrado pela segunda vez. Outrossim, este não me parece o X do problema.

Chegou a meu conhecimento que o aluguel hoje de um box, ou melhor de cada porta, já que são contados também escritório, farmácia, depositos, etc... em Cidade Jardim é  de 115 Reais. Logo, isto onera, a um dono de cocheira, seu trato, numa atividade em que nós precisamos mais dos proprietários do que os estes proprietários propriamente de nosso esporte. Como devem haver mais de 80 conjuntos de boxes em Cidade Jardim, a grana mensal que entra é considerável. Será que os 27% que o Jockey Club retira do movimento de apostas não é suficiente para ele pagar as despesas das corridas, as taxações governamentais e a manutenção do clube? Será necessário se angariar este dinheiro extra, que pode vir a afungentar gente da atividade?

Não sou diretor e por isto não saberia como responder a esta pergunta, mas meu bom senso apela a afirmar, que o proprietário e seus cavalos, são os mais valiosos bens desta atividade. Maiores até do que os sócios do club, que podem desfrutar de outras amenidades que eles - e muitos nem cavalos possuem - e muito maiores ainda do que aqueles que administram a casa. Não vejo nos hipódromos brasileiros, por exemplo como no hemisfério norte, você ser convidado a desfrutar de uma mesa especial com todas as despesas pagas pelo hipódromo, para os proprietários dos cavalos que irão correr uma prova de grupo. Seria isto tão caro? Oneraria tanto o budget da agremiação? É uma pequeno detalhe, mas acreditem, faz toda uma diferença por aqui e na Europa.

Cavalo de corrida é para quem pode. Nem sempre para quem apenas quer. E quem pode, gosta de ter um tratamento especial e preferencialmente não ser taxado duas vezes pela mesma coisa. Entrar em uma Prada é uma coisa. Na J. C. Penny outra. Há diferença de preço, mas ninguém o cobra duas vezes pelo mesmo artigo.

Por favor, não vejam esta segunda parte do artigo como critica. Não estou capacitado de discutir sequer se nossos clubes estão ou não sendo bem administrados. Ademais, além de eu ser sempre bem recebido quando visito Cidade Jardim e Gávea, complementaria que cada clube sabe das suas necessidades de manutenção. Apenas penso que deveriamos repaginar muita coisa em nossas corridas e criar formas de manter e atrair novos proprietários para a nossa atividade. E mesmo sendo de importancia vital a atração de novos, eu penso que nem minha vó Adelina, mais importante ainda é manter os que lá já estão.