Estamos vivendo um momento eleitoral intenso. Sou do tempo que em épocas como estas, farpas eram lançadas de ambos os lados. Agora são mísseis. Chumbo de alto calibre, revestidos de fissão e fusão nucleares. Mas em 1987, quando desci juntar os meus trapinhos e iniciar um processo de de mudança gradativa para os estados Unidos, tinha minhas razões para o fazer.
Vivíamos o inicio de uma nova democracia. Os militares haviam devolvido o poder aos de direito, mas para nossa infelicidade, o Tancredo Neves, vitima de uma disvirculite, foi impossibilitado de ser empossado e com sua morte, logo a seguir, o Jose Sarney assumiu o comando da nação. A inflação que era de 242,230% ao ano, na saída dos militares, com a incompetência da política econômica do ex-governador do Maranhão, em 1987, fechou na casa de 980,810%.
Imaginem se o senhor Lula assume ai a presidência, como era seu desejo? O que seria do PT? Mas sua sorte foi pegar em 2002, quinze anos depois, um pais com sua economia arrumada e o principal e tudo implantada sobre sólidos alicerces construídos para o seu crescimento. Seguiu a a correnteza, mas quando as primeiras cataratas foram aparecendo, e se tornaram necessárias a criação de novos mecanismos, quem apenas se locupletou, continuou e nunca criou, acabou mostrando a sua verdadeira face. E dona Dilma, apenas colocou os dedos nos buracos na embarcação, de forma a que ela não se enchesse de agua. Todavia, quando faltaram dedos nas mãos, pois, todos estavam ocupados, a agua começou a encher os porões.
O mesmo aconteceu comigo, quando cheguei a conclusão que migrar era preciso. O Brasil vivia sua pior crise, dentro e fora das pistas. Por que digo isto, por que quando iniciei minhas seleções nos Estados Unidos em 1987, o Brasil decaia como nação criadora de cavalos de corrida. Houvera o desaparecimento de alguns importantes criadores e outros já estavam em final de mandato. E como no Brasil, com rarissimas exceções um estabelecimento de cria passa por três gerações, a coisa era torcer que os novos, acreditassem em genética e investissem, naquilo que eu acreditava ser um dos caminhos.
No inicio foram apenas o Antonio Claudio Assumpcao e o senhor Geraldo Bordon. Ai vieram o Pedro Jarbas, os Fragoso Pires e a base ficou consolidada, com a chegada do TNT e de outros grupos que investiram em uma ou duas éguas cada. Esta éguas hoje são responsáveis por 57 ganhadores de grupo entre mães e segundas mães, contando com Emperor Cat que ganhou a segunda prova da tríplice coroa paulista. Ele que é um neto materno da por mim importada para o haras Pemale, Lookatmewinning. E tudo isto, em menos de 30 anos.
Tive meus méritos, mais os méritos maiores foram dos criadores e proprietários que reconheceram a validade da ação de se tentar rejuvenescer uma genética que fenecia a olhos vistos, por intermédio de importações de linhas maternas consagradas, abrindo apenas mão, naquela época, de vários dos pais das mesmas. Era a única opção com e estado em que a economia brasileira viveu ate que o plano Real, do então ministro Fernando Henrique Cardoso, fosse implantado e passasse a dar os primeiros resultados.
De uns tempos para, nestas linhas maternas que já deram certo no Brasil e que sempre funcionaram no hemisfério norte, continuam sendo trazidas, agora acrescidas de pais como Gone West, A. P. Indy, Sadlers Wells, Danehill, Cape Cross, Storm Cat, Montjeu e com pais de segunda e terceira mães, capazes de formar uma estrutura genética solida para a transmissão de bons caracteres. O que se esperar daqui para frente? Por dedução lógica, uma melhoria substancial da qualidade de nosso produto.
Seria garantido? Evidentemente que não. Mas o aumento das probabilidades me parece escandaloso. E este é o mecanismo desta atividade: aumento de probabilidades.
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