São tantas as coisas que passam por minha cabeça, que não acho tempo para fazer aquilo que mais me dá prazer: escrever sobre grandes cavalos e pessoas que os criaram, os tiveram, os treinaram ou os montaram.
Mas de vez em quando algo me vem a cabeça, produto de uma pergunta, de uma observação, ou simplesmente de algo que pesquiso. Nossa memória é capaz de manter escondido algo durante anos a fio, e de repente algo, como uma luz que se acende, trás a tona uma lembrança que de tão antiga virá uma espécie de vintage espiritual. Explico-me melhor.
Penetrei no mundo dos pedigrees, estudando com o senhor Atualpa Soares, que igualmente me incentivou a não só destrincha-los como igualmente conhecer a história destas coisas maravilhosas chamada de cavalos de corrida. E pouco a pouco, aqueles nomes que via nos pedigrees, começaram a criar vidas, a determinar características próprias. Evidente que as influências iniciais vieram dele, o senhor Atualpa, e assim St. Simon, foi a minha primeira paixão. E Ribot - um seu descendente - a segunda.
Um dia escreverei aqui sobre St. Simon, e quem quiser saber o que acho de Ribot, consulte um pequeno estudo que publiquei sobre ele, como continuação de outro que havia feito sobre seu criador, Federico Tesio.
Neste época inicial, o ganhador do Derby, Bois Roussel - o fez em sua segunda carreira e de forma invicta - era uma coqueluche no Brasil, pois haviam sido importados alguns de seus filhos para fins reprodutivos. Cavalos como Swallow Tail para a familia Peixoto de Castro, Royal Forest para os Seabras e Normanton, se não me engano para os Rocha Faria. Mas antes se torna próprio frisar, que Bois Roussel, correu apenas em mais uma oportunidade, perdendo sua invencibilidade nos 3,000 metros do Grand Prix de Paris . na época a mais cotada carreira na França - para algo invicto chamado Nearco.
Bois Roussel era um descendente direto de St. Simon e tinha como mãe um das mais importantes reprodutoras da história, Plucky Liege. Pois bem, cruzado com uma neta de Mumtaz Mahal veio a gerar para H. H. Aga Khan a Migoli (foto de abertura). Atentem para o pedigree que se segue e vislumbrem como as coisas eram bem feitas naquela época.
Pois bem, Migoli foi um dos grandes cavalos de sua época. Ganhou 12 de suas 21 carreiras, entre as quais o Arco, o Champion, o Eclipse e o Dewhurst Stakes. Para se ter uma idéia, era muito difícil para um elemento treinado na Inglaterra vir a Longchamp e ganhar o Arco. Migoli acredito ter sido o primeiro, sendo que o segundo só veio a ganhar décadas depois, mais precisamente em 1971, o norte-americano Mill Reef.
Não luziu no breeding-shed e creio que Gallant Man tenha sido o que de melhor produziu. Volto a repetir, embasbacado que era por St. Simon, impressionado com Bois Roussel e sua importância no Brasil, achei que Gallant Man era o cavalos. Como na pista realmente o foi.
Tinha um cruzamento soberbo, mas que nunca conseguiu cristalizar-se num transmissor de classe.
Gallant Man
Porque?
Acho apenas uma razão: a submissão paulatina da tribo St. Simon com o passar dos anos. Alleeged, um dos maiores cavalos que vi correr, passou a ser a minha última esperança. Afinal era um Ribot na acepção da palavra, que como ele havia ganho dois Arcos. E o fez de ponta a ponta.
Imbreed em War Admiral e Priincequillo, dois não muito usuais chefes de raça, neste setor, Alleged tinha como avô uma irmã materna de Tumble Lark, um muito bem conhecido e respeitado elemento da criação brasileira.
Com Alleged extinguiram-se as minhas esperanças na sobrevivência de St. Simon, nas linhas altas do pedigrees dos ganhadores de grupo modernos.
Alleged
Sempre respeitei os Princequillos, man nunca tive por ele uma simpatia maior. Os irmãos Graustark e His Majesty eram também motivos de atenção, mas nunca os vi como disseminadores da raça, E assim, pouco a pouco, fui perdendo. minhas esperanças, mesmo no Brasil, o aparecimento de algo completamente distoante, como Itajara, de que possa ter renascido para muitos a chama dos St. Simons.
Ver St. Simon e Ribot desaparecerem dói muito. Mas apenas demonstra que a lei das dominâncias é implacável. Não poupa a ninguém.






