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sexta-feira, 8 de novembro de 2019

PAPO DE BOTEQUIM: SAUDOSISTA? MELANCOLICO?


Um dos que leem minhas notas achou meu Papo de Botequim de ontem, um tanto ao quanto saudosista. Com todo respeito, aceito a ponderação sem submissão. Outro, mais contundente, chegou a usar até o termo melancólico. Talvez também tenha sido. Mas desculpem, falha técnica se ela realmente existiu, mas eu vivi uma era que dava gosto de ter cavalos de corrida no Brasil. Criavamos mais de 6,000 produtos. Importavamos com mais esmero. e creio que as coisas aconteciam com um maior rigor.

Se estava melancólico ou romântico, desculpem, mas é duro ver um haras como o Santa Maria de Araras encerrar suas atividades no Paraná e consequentemente criar um mercado, que no Brasil, ainda carece de funcionar: o mercado de desmamados. Senti-me assim quando soube que o Santa Ana do Rio Grande iria parar e não quero aqui ficar citando outros, pois me esquecerei de alguém e logo virão dizer que fiz de propósito.



A saída do TNT do cenário brasileiro, a morte de titular do Estrela Energia, foram a meu ver alguns turning-points, no sentido negativo em nossa atividade. E o cr4scimento e entrada de noc+vos proprietários e criadores, não acompanhou o mesmo ritmo. Aceito ser tratado de saudosista. SDe querem me taxar de melancólico não estarei muito longe da verdade. Outrossim, depois de 7 dias de inspeções onde já mais de 250 animais vieram a ser por mim examinados, com a ajuda do Mauro Silva e o Joaquim Antunes, esta nostalgia se torna ainda maior, pelo simples fato q\de estarmos criando atletas de alto padrão fisico. Não mais aqueles elementos cabeçudos, pesados e sem o mínimo de harmonia. Não há um único haras, que você não encontre algo que o faça considerar um potencial protagonista. E nestas incursões o prazer de estar com velhos e novos amigos.

Nostalgia? Com certeza que sim. O tempo passa, as pessoas evoluem, as coisas se assentam, amizades se consolidam e você vê tanto potencial desperdiçado que dá até urticária! Seria que sou só eu que noto estas coisas? Será que ninguém admite o buraco em que estamos nos colocando?



Não me passa pela cabeça ser mais conhecedor do que ninguém, porém em um ponto defendo minha tese com conhecimento de causa, pois, a cada ano visito um núcleo de cavalos, os vejo, os examino e assim possuo me considerar uma testemunha ocular de um mercado, que não se visita, e poucas idéias troca.

Como você pode tomar soluções, sem ter tido o tempo de examinar cada reprodutor que adentra em nosso mercado, e depois, parte significativa de sua produção. Você sabe por exemplo o que diferencia um Salto de um Courtier, ou um Drosselmeyer de um Gloria de Campeão?

Temos que interagir mais. Precisamos trocar experiências. Eu já entrevistei a Piggott, Vincent O'Brien, Lucien Lauren, Sir Henry Cecil, e tantas outras personalidades e confesso que pouco ou nada foi explorado entre profissionais e figuras de destaque de nosso marcado. Ser que não haveriam perguntas a se fazer? Seriam eles ineptos a responder? Ou preferíamos a nos manter na pasmaceira do se é , será porque?

Se o texto pareceu saudosista ou melancólico, desculpem. Não foi necessariamente a minha intenção.