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terça-feira, 29 de setembro de 2020

OLD FRIENDS - UM HARAS COM HISTÓRIA INTERNACIONAL - PRIMEIRA PARTE

O que faz uma pessoa criar cavalos de corrida? Qual o sonho por trás da aventura, num país que não dá o devido respeito a atividade?  Até que ponto o custo extorsivo de criar cavalos num centro que não o premeia financeiramente na forma que deveria premiar, pode influir em sua vida pessoal?

Julio Camargo e Julinho Camargo, são um exemplo impar de um desejo, e de um compromisso para com um projeto, que para muitos pode parecer excessivo aos parâmetros nacionais. No Old Friends, sinto uma necessidade de se chegar a algo, bem acima do que a grande maioria de outros haras brasileiros tem para consigo próprios. Para mim isto se chama comprometimento. 

Seria o desejo de enfrentar o que poucos enfrentaram? O apelo ao desafio? Mas, se assim o for, o que os fez trilhar este caminho? Seriam suas experiências bem sucedidas na África do Sul e nos Estados Unidos, parte desta motivação? Ou um sonho de criar algo que chegasse ao topo de uma atividade, é antigo e antecede os bem sucedidos efeitos, atingidos?

Não creio ser uma tarefa simples se criar um cavalo que em Ascot seja capaz de ser segundo no King George, ou mesmo outro que faz uma limpa nas pistas de areia da vizinha Argentina. Isto para mim, está cima da sorte. Cheira a competência.

Conheço muitos haras pelo mundo. E sei basicamente quando se está pisando em algo sólido em termos de criação de cavalos de corrida. Mas por mais que você possa sentir, nem de perto, assemelha-se a versão real daqueles que construíram o projeto e o tocam na direção correta. Errar em cavalos de corrida é uma das coisas mais comuns. Todos, são belos, mas poucos correm. Aprendi desde cedo, na carne,  a veracidade destas palavras.

Pois bem, aqui v-ao 20 respostas, onde pouco a pouco foram se conhecendo, entrevistador e entrevistado. Espero que curtam. E que de alguma forma o que foi trocado em palavras sirva a vocês como insumos para o desenvolvimento de seus raciocínios.



Primeiramente por que o nome adotado de Old Friends e qual a razão da escolha de Bagé, como base de criação? Como chegaram ao atual haras?

O nome Old Friends começou com o Stud Old Friends que era composto pelo meu pai, meu tio (irmão do meu pai), pelo Franco Clemente Pinto e pelo Sergio Cortelazzo sócio do meu pai, todos velhos amigos, daí o nome Old Friends. Quando decidimos partir pra criação com planos mais audaciosos o pessoal decidiu ficar somente como torcedores e nós continuamos até hoje em vôo solo.

Sobre Bagé, um belo dia em CJ encontramos o Rodolfo Lima do Lorolú que nos disse haver uma area excepcional em frente ao Haras deles. Marcada a viagem, as condições de topografia, qualidade de solo, clima e mão de obra foram preponderantes para a decisão da compra da area do atual Haras Old Friends. Na época a família Lima nos recebeu maravilhosamente bem e no período entre a ida pra conhecer a area e a chegada por lá pudemos conversar com figuras já tradicionais em Bagé como o Totão(Mondesir), Jorge Morgado (Ex Inshala, Doce Vale, Nacional, etc), Mariosinho Moglia (Fronteira), Jose Carlos Fragoso Pires (Santa Ana do Rio Grande), entre outros que nos aconselharam totalmente pela ida a Bagé, ou seja, com todas essas condições a compra foi efetivada na própria viagem.

O objetivo precipuo do haras parece que sempre foi vender. O que o motivou a mudar o sistema de venda em leilão, para vendas diretas? E explique como funcionam estas últimas?

A idéia inicial seria criar  10 potros por ano de qualidade top para correr na farda , porém, verificamos que o custo pra isso era muito grande e que a melhor maneira econômica seria aumentar a quantidade de animais e transfomar numa operação comercial, tudo isso sempre levando em conta que não perderíamos nada em qualidade de criação.

Em 2017 nosso leilão foi muito mal, muitos animais não atingiram um preço perto do razoável e acabaram ficando para o Haras. Alguns clientes nos procuraram após o leilão e acabamos vendendo todos animais que haviam sobrado em uma semana. Com isso, pensamos: por que não fazer um teste no ano seguinte com a geração toda? Pior do que havia sido o leilão impossível e olha que era uma geração excelente, dela saíram Aero Trem, Agassi, Alegria Afleet, Avião Sureño, Ahaha, entre outros...

De lá pra cá, ja comercializamos de forma direta 3 gerações com muito sucesso, é um modelo que nos dá prazer, recebemos amigos, turfistas, criadores e proprietários onde passamos incríveis dias nos quais podemos mostrar nosso trabalho, a geração a venda e a do ano seguinte, tudo com a maior transparência possível. Mesmo os menores problemas são ditos aos compradores, queremos estabelecer uma relação de confiança total.
Os preços são baseados no mercado, sem isso o sucesso não seria possível.

Drosselmeyer

Verrazano


Qual o grau que vocês aportam para genética, físico e desempenho em pista para ser uma reprodutora ou um reprodutor do haras?

Criar é muito caro, portanto, a melhor forma de se economizar é investir em matrizes e coberturas. Um produto jacaré com cobra d’agua vende por zero e o médio com médio não dá resultado e não fecha a conta. Além disso, com físico, pedigree e éguas clássicas o seu percentual de animais clássicos produzidos aumenta absurdamente, é estatístico, não estou inventando.

Hoje em dia pra entrar no Haras o fundamental é ter genética, mas procuramos sempre o tripé de Físico, Pedigree e Campanha.  Atualmente ficou mais fácil pois a reposição de matrizes é feita com as potrancas que foram reservadas para a manutenção da genética.
Éguas de físico ruim normalmente produzem igual a elas, portanto, descartamos, pois na hora da venda fica muito difícil. O comprador não quer saber se a mãe era bonita ou feia, ele quer o produto bonito e ponto, não leva em consideração como era a mãe.

Duas curiosidades pessoais porque Spend a Buck e Farda Amiga, dois de seus mais importantes gols?

Spend A Buck já havia produzido a Clausen Export, um fenomeno nas pistas. Atrás dela foram importadas algumas potrancas filhas do Spend A Buck devido ao enorme sucesso de sua filha no Brasil e todas elas foram boas corredoras. Além disso o cavalo em pista foi uma máquina de correr, até outro dia tinha o 3o melhor tempo do KY Derby atras somente de Secretariat e Northern Dancer...Somado a tudo isso, tinha um físico assombroso, maravilhoso!

Havíamos aumentado muito o plantel e comprar coberturas estava muito caro, daí veio a ideia do Shuttle do cavaloíFicou por dois anos alojado no Old Friends e os produtos dessas gerações tiveram sucesso  nacional e internacional com Pico Central e Hard Buck provenientes destas duas “fornadas” inclusive.

Farda Amiga eu digo que foi um presente divino:

Estavamos nós e o Marcos Simon (Stud Farda Vencedora) em Keeneland e já havíamos comprado duas potrancas cada um.  Para comemorarmos reservamos um restaurante na cidade no primeiro horário, jantar americano mesmo, estávamos cansados e queríamos dormir cedo.

Com isso, decidimos ir direto de Keeneland para o jantar, porém ainda não havia aberto e estavamos nos divertindo na parte de trás do Tattersall chutando preço baseado no pedigree e no físico dos potros que ficavam na nossa frente antes de serem arrematados.

Faltavam não mais que 5 animais pra acabar o leilão até que surge ela, a Farda Amiga, filha do Broad Brush que até então era o reprodutor com o maior percentual clássico até o momento, com mãe Clássica e da linha do St.Jovite (ganhador do Irish Derby com tempo 3s inferior ao record). A potranca era linda, então esperavamos algo por volta de 400-500.000 dolares, quando iniciou o lance em 10.000 corremos pra perto de onde pegam os lances e começamos a brigar até o arremate final de 45.000.

Comemoramos muito porque achavamos que somente pra cria ela valeria muito mais que isso, porém tinhamos muita certeza que algum problema ela tinha, o preço havia sido muito barato.

Nossa suspeita posteriormente foi confirmada pelo diagnóstico de um OCD inoperável com prognóstico reservado pra corrida. A verdade é que ela nunca mancou disso e essa história completa daria um livro.



Pois é Julinho, é dos livros e das histórias completas que a maioria dos leitores deste blog estão interessados. Mas você decide o que deve ser contado. De fora o que se vê, é que Farda Amiga foi um fenômeno nas pistas, mas não está tendo a mesma performance no haras. Invertendo totalmente a posição inicial de vocês. A que você atribui isto?

Bom, achei que seria extenso por demais, vou continuar:
Dia seguinte as compras, recebemos uma ligação do Paulinho Lobo, insatisfeito com os rumos do turfe no Brasil, e que gostaria de tentar a sorte nos USA. Para isso ele ja contava com 3 ou 4 cavalos e com as nossas 5 potrancas (2 nossas, 2 do Farda Vencedora e mais a Farda Amiga) estaria viabilizada a operação dele na terra do Tio Sam, feito o jogo.

Após consulta do pessoal da Hagyard no KY fomos aconselhados a tocar vida normal com a Farda Amiga e ao menor sinal de manqueira na rótula, que encerrássemos campanha, pois não havia solução.

As potrancas foram enviadas para a doma em Ocala e decidimos não falar nada ao pessoal para que não ficassem sugestionados e seguissem o trabalho com ela. Nunca mancou deste problema em nossas mãos e a surpresa maior eu tive anos depois ao saber que uma semana antes do leilão ela estava completamente manca e foi infiltrada devido ao problema do OCD na rótula.

Outra curiosidade foi que Mrs Payson, a criadora ,chamou um grande “bam bam bam” de ortopedia que cravou que ela que seria uma “wonderfull broodmare”, porque não correria. Fui informado que minutos após o Oaks este profissional recebeu uma ligação dela “brincando” que realmente seria muito bom ventre! rsrs.

Outros fatos curiosos da campanha dela foram:

- A estreia onde foi a primeira inscrição do Paulinho nos USA e ganhou a galope. (A anos um animal não estreava ganhando na grama e em duas curvas em Delmar).

- Após algumas atuações um pouco abaixo do que esperávamos, Selmar Lobo que visitava o Paulinho acompanhou um trabalho dela de 1’11” pros 1.200 e disse que éramos loucos de estar correndo ela na grama e que seria um fenômeno na areia. A carreira seguinte a este conselho foi o SA Oaks em que ela teve um percurso adverso chegando em quarto a dois corpos da ganhadora e uma depois foi a glória maior que veio no KY Oaks Gr1.

- Outra superação da égua foi no Alabama S. Gr1, onde ela teve cólica na terça feira da semana da carreira, teve que adiar a viagem para a quinta feira e não comeu nada até o dia em que foi ao padoque fazer escola pra carreira no dia seguinte. Após isso, parecia ter entendido a missão, passou a comer tudo que tinha disponível e foi pra foto no dia seguinte.

Após um belo segundo na BC Distaff gr1 para o fenômeno Azeri (eleita Horse of the Year) no ano seguinte, foi diagnosticado uma pequena lesão no ligamento suspensório e decidimos por preserva-la e iniciar o período de reprodução.

Quase todos filhos dela mancaram do mesmo problema que ela, porém de maneira muito mais precoce, grande parte do insucesso eu credito a isso, outra parte ao imponderável que faz com que o turfe seja tão instigante e que de certa forma até místico. O fracasso de grandes craques na reprodução ficam mais marcados, pois são poucos num universo de muitos animais, ninguém repara quando um matungo não dá nada, pois seria o normal a acontecer pela matemática do turfe.

Entretanto, se o Einstein foi produzido pela Gay Charm já com avançada idade e se o Secretariat foi gerado aos 23 anos, por que não tentarmos até o último momento com quem nos propciou memoráveis momentos no turfe?

Fale-me um pouco do Paulinho Lobo. E de sua importância no projeto Farda Amiga.

Diria que o Paulinho foi fundamental, imagina se oferecessemos pra um treinador do nível Baffert, Pletcher, etc, cinco potrancas que não custaram mais que 50.000 dolares.....provavelmente não aceitariam ou seriam deixadas nos fundos da cocheira com algum “assistente do assistente” cuidando delas...

Paulinho fez um trabalho primoroso e das três potrancas que o Old Friends tinha participação duas foram ganhadoras clássicas, entre elas a Farda Amiga. No ano seguinte treinou a Quero Quero que ganhou Gr2 em Hollywood Park, foi segunda em Gr1 na areia e foi terceira a meio corpo da craque da época Megahertz e a frente da fenomeno Dublino. Corria muito esta égua também, tenho um carinho especial por ela.

Paulinho fez um trabalho primoroso, sempre tratando cada cavalo individualmente de acordo com as suas necessidades. Gostei muito da mudança que ele fez recentemente trocando a Califórnia pelo Kentucky, agora tem muito mais opções de páreos pros animais e é possível fazer uma campanha “step by step” nos animais, inclusive os importados do Brasil e Argentina.

Qual foi o melhor cavalo em sua opinião que o Old Friends criou? Porque? E quem esteve perto de ser?

Em termos de campanha os melhores criados até agora foram o Hard Buck, ganhador de Gr1 em Gulfstream no inverno (muito mais difícil nesta época pois todos americanos descem fugindo do gelo e da neve) e segundo colocado no King George and Queen Elizabeth S. Gr1(até hoje a melhor colocação nesta prova de um animal criado no hemisfério sul).

Ilha da Vitória - Cavalo do Ano na Africa do Sul - ganhadora de três provas de Gr1 contra os machos, sempre dando de três a quatro quilos de vantagem para os adversários, pois nesta época as provas na Africa do Sul eram handicap e ela sempre corria como Top Weight (mais pesada do páreo).

Quem esteve perto de ser?

Acredito que Very Nice Moon seria um animal pra ficar na história não fosse o problema que ela teve no joelho ocorrido num prejuízo em sua vitória de Gr1. Antes deste percalço, ela venceu todas com estrema facilidade e pelo pedigree iria evoluir ainda mais nas distância mais alongadas, ela tinha o que os craques tem, velocidade em qualquer parte do percurso. O Vagner Leal me pediu várias vezes pra retirar a parelha por que mais atrapalhava do que ajudava, mas estava dando certo e eu não queria mudar.

- Sai de Baixo era outra “maluca das patas”, corria muito mesmo com problema na garganta, mesmo com tudo isso ela bateu o recorde do quilômetro em Cidade Jardim em estilo de canter. Não fosse o problema na garganta teria sido muito boa mesmo em distâncias maiores onde inclusive foi segunda colocada na segunda prova da Tríplice Coroa. Cada vez que trabalhava em Campinas era uma atração a parte, marcava muito e com facilidade.

- Pippa era uma super égua no quilômetro e na minha opinião ela se superava pra correr essa distância porque faltava um pouco de velocidade inicial pra ela, se corresse seis furlongs como acontece nos USA seria muito melhor pra ela.

- Vettori Kin era muito bom cavalo também, antes de ter problema ganhou fácil um Gr3 em Keeneland que estava a jeito, mas depois foi quarto a dois corpos num Gr1 em que não teve trem de corrida e ele corria entre os últimos. Se conhecêssemos melhor ele no Pellegrini e tivesse corrido quieto, teria feito uma belíssima carreira, um dos meus maiores sonhos escapou pelos dedos....

- Mary Rê, multi-ganhadora de grupo, fez a campanha toda, com alguns “dodóis” e acredito que ela treinada na pista de algum CT seria um “monstro”.

Enfim, tenho um amigo que diz: “cavalo que se” e "mulher que já foi,"... "o mundo tá cheio!!!”, mas eram promessas bem grandes.

Qual foi sua maior emoção primeiro como criador e depois como proprietário?

A maior emoção como criador foi o segundo no King George, algo inimaginável, estar lá cercado da Rainha e ver seu pupilo brigar com dois faixas do Sheik e ainda aguentar o segundo, segurando a investida do super craque Sulamani (também do Sheik), Foi incrível, não sou de me emocionar, mas correram lágrimas naquele dia ao lado do post reservado aos segundo colocados...

Como proprietário não tem como ter nada melhor do que a vitória no KY Oaks, mais que isso somente o KY Derby. Mas cada vitória tem seu sabor especial e vibro com todas elas, de propriedade e de criação igualmente.

Agora como turfista. Quem foram os maiores cavalos que viu correr nos dois hemisférios?

Eu iniciei a ver as carreiras em 1987 , portanto, dos que eu vi correr no Brasil (macho e fêmea) os melhores foram Cacique Negro e RibolettaNos USA por vídeo Secretariat e RuffianAo vivo American Pharoah e Azeri e na Europa Frankel e Zarkava.

CONTINUA