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HARAS ERALDO PALMERINI a casa de Lionel the Best (foto de Paula Bezerra Jr), Jet Lag, Estupenda de Mais, Hotaru, etc...

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STUD MY HERO DAD - SUMMERSET - foto de Porfirio Menezes

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terça-feira, 9 de agosto de 2011

DOIS E-MAILS, UMA RESPOSTA

Primeiro e-mail
Caro Renato, há notícia de outro centro (dos grandes centros) em que a maior prova (um King George, um Arco, Uma Breeder´s Classic) tenha sido ganha por um cavalo comum, como ocorreu no Brasil desse ano? E olha só: não um cavalo comum no sentido de mediano, até então ganhador de um grupo 3, por exemplo; mas um cavalo que nunca havia corrido uma prova especial sequer e que tinha uma vitória em cinco apresentações!!!!! Mais uma coisa: também não se trata de um fenômeno de três anos de idade, que ganhou aos esbarros na estreia e foi mandado à prova principal; não é um Lammtarra... Estou equivocado ou isso não poderia acontecer???? Abraço cordial, Marcello.


Segundo e-mail
Pois é, Renato, acho que, embora não tenhas respondido à minha pergunta especificamente, minha ignorância foi esbofeteada pelas tuas respostas gerais sobre o ganhador do GP Brasil. Não sabia que estavas ligado profissionalmente a ele, e, mais uma vez, a desinformação não levou a coisas boas. Se soubesse de metade das considerações que fizeste antes de o páreo ser corrido, teria inclusive apostado em uma pule de mais de cinquenta por um!!!!!!!!! Uma pergunta mais, se houver tempo para responderes: Buffum, filho do Bernardini, corre muito ou o allowance foi fraco? Abraços, Marcello.

MARCELLO,

Dizia minha vó Adelina, que a propaganda é a alma do negócio. Outrossim nem para todos os negócios. Eu penso, que tão somente para certos, tais como corridas de cavalos, creio ser o segredo a verdadeira alma do negócio. BELO ACTEON era um segredo guardado por nós, a sete chaves. E segredo não se conta...

Desde pequeno ele foi tido em alta conta. Seu apelido, Alemão.

CAVALO QUE TEM APELIDO, PODES CRER, QUE É ESPECIAL.

Olhe para ele, observe ser Rasmussen factor em Somethingroyal, e veja sua semelhança física com um de seus filhos, um tal de Secretariat. Não custava sonhar que ele pudesse correr um décimo do que o filho de Bold Ruler corria.

Quando o vi pela primeira vez, ainda no haras Lorolu, me apaixonei, principalmente por ser um elemento bem desenvolvido, cuja mãe teve problemas de amamentar. Depois ao vê-lo galopar no Cristal, disse ao Aluizio, seu dono, este não tem erro, ele nos dará o GP. Brasil.

E não é que ele deu!!!!! E nos dará muito mais.

Tenha consciência que este cavalo teve inicialmente problemas de direção, pois, era contrariado, e causou até a mudança do jóquei contratado pelo Stud H & R, do Aluízio Merlim Ribeiro. Desde o inicio o Guignone nos alertou que tínhamos algo especial, embora a estrela de nosso stud fosse Boillinger, uma outra filha de Acteon Man, que achávamos que poderia ganhar o Diana, mas que infelizmente mancou logo após ser quarta colocada no Possolo.

Vamos abrir um pequeno parênteses: Apenas a titulo de alusão, na primeira geração, o Aluízio criou três produtos do Acteon Man, dois chegaram a pista e ganharam, Acteon Boy que inclusive correu o Derby e All or Nothing, igualmente ganhadora, inclusive de prova especial. Na segunda geração a 5, dos quais três já são ganhadores. Um inclusive do Brasil... Fecha parênteses e voltemos aos trilhos.

Tinham-no na cocheira do Guignone, como o cavalo que correria o Derby, mas infelizmente teve um problema de joelho. Passou por uma cirurgia e depois de um longo afastamento, foi trazido para correr os 2,000 do páreo de perdedores. Corríamos contra o tempo. Se você analisar aquele páreo verá que pela primeira vez ele correu a frente, ganhou de ponta a ponta e meteu um tempo, melhor em mais de 2 segundos que o grupo 3 corrido naquela mesma tarde.

Como frisei anteriormente, corríamos contra o tempo e o Guignone o trabalhou 2,400m. E ele fez o melhor tempo que este experiente profissional assistiu entre os seus. Foi claro com o Aluízio. Nunca ninguém dos que treinei meteu 160. Isto é tempo para ganhar o Brasil. O Aluízio que sabe com quem está lidando aceitou o desafio. Nas duas semanas seguintes ele foi novamente trabalhado, pois, como sempre digo, uma vez pode ser sorte, duas coincidência, mas três... E a coisa seguiu, 161 e 159. Não havia mais dúvida em minha cabeça, como na do Aluízio, do Guignone e do H. Fernandez que imediatamente pediu a montaria.

Nossa certeza era tanta que eu vim para a carreira, sabendo que daqui a duas semanas tenho que vir novamente ao Brasil. O Aluízio pagou o added consciente que estávamos com muita chance na carreira e a partir de então, passamos a nos divertir com os comentários que Belo Action estava sendo inscrito para o proprietário mostrar sua camisa. Que o Guignone na verdade queria um faixa para o Another Xhow. Que ele seria triturado se brigasse na ponta com o Too Friendly e outras idiotices típicas de um turfe que carece de seriedade e vive de brincadeirinhas.

Ponto um: Um cara que em tão pouco espaço de tempo como o Aluízio, já havia ganho o Ministério da Agricultura com o Acteon Man, a taça de Prata com o Keith Richards, o bento em duas oportunidades com o Starman, fora segundo e terceiro no Brasil, segundo no São Paulo e primeiro no Pellegrini com o Gorylla, sabe o que são grandes provas e que não precisa mostrar sua jaqueta. Quem acompanha o turfe, já a conhece. tenham certeza que ele só a mostra, quando acha que ganha ou se coloca. Ponto dois: O Guignone chegou onde chegou não por seus lindos olhos. Ele chegou onde chegou porque sabe o que faz, é sério no que faz e tem o respeito daqueles que trabalham com ele, inclusive eu. Nunca se prestaria a uma palhaçada de fazer um proprietário gastar 18,000 Reais para ajudar a um outro. Ponto 3: O turfe brasileiro já passou a muito tempo do estágio do amadorismo. Havia um prêmio substancialmente bom e nós tínhamos um cavalo com potencial de correr. Não nos importávamos se ele tinha apenas uma vitória, pois, sabíamos que sete vencedores do derby inglês - uma prova que igualmente tem a sua dificuldade - o haviam ganho, quando eram detentores de apenas uma vitória. Tínhamos sim, um cavalo fresh, que fazia a sua própria carreira e que estava na ponta dos cascos. Um conselho que dou a todos: quando um cavalo está pronto, corra-o. Não espere que ele inicie o processo de subir pelas paredes de seu box! Ponto quatro: Eu, o Aluízio e o Guignone temos plena noção do que representa o perigo e tínhamos igualmente plena consciência das criticas que viriam, caso o cavalo viesse a fracassar. Apenas não temos medo do perigo e muito menos pensávamos que pudesse haver um fracasso.

Nosso cavalo atrasou-se para entrar para o canter de apresentação. Sozinhos no paddock, eu o Aluízio e o Guignone esperamos o Fernandez que teve que trocar o boné que fora colocado na cor negra e não branca. Guignone falou firme a nosso jóquei. Tenha fé. Faça a sua corrida. Tenha fé que o cavalo vai chegar. Ai o Aluízio complementou. Se o Too Friendly vier para cima, lute. Não renuncie a ponta. Antes de montar, o Fernandez ouviu mais uma vez do Guignone: tenha fé!

Meus amigos quando um Guignone diz uma vez tenha fé, não exite e meta a cara, pois não há erro. Agora imagine quando num espaço de menos de dois minutos ele repete mais duas vezes... Eu que não jogo, saí dali e joguei o que tinha no bolso.

E foi assim. Ganhamos de um cavalo que considero o melhor cavalo do Brasil: Too Friendly. Um cavalo que só perdeu esta carreira, porque enfrentou o especialista na distância, que estava no auge de sua performance física e assim mesmo perdeu, nos assustando até o último milímetro da carreira. Tenho humildade de afirmar, que este filho de Sinal Tap é o mais completo cavalo em treinamento em território nacional, superior mesmo ao nosso, mas talvez não em 2,400 metros.

As malas do Belo Acteon já estavam prontas, caso ele viesse a concretizar o nosso sonho. Seu destino os Estados Unidos, onde pelo menos não teremos que enfrentar mais o Too Friendly.

Qual será o seu futuro? O Aluízio decidirá.

Mas tenha total certeza Marcello, que Belo Action, não é produto de uma lasciva noite de verão e que em meu conceito pode vir a completar o serviço que quase concretizei em Dubai e Ascot com Hard Buck. Pois, ao contrário do brilhante filho de Spend a Buck que chegava como Too Friendly a milha e meia pela imensa classe que possuem, o nosso belo mais muito Belo Acteon é um especialista. E com especialista não se brinca, apenas joga-se e depois aplaude-se.

Abraços
Renato Gameiro