Renato,
Inicialmente parabéns, por este êxito seu. Uma pergunta simples, você que ganhou dois Grande Premios Brasil, qual o que lhe emocionou mais. O de Belo Acteon ou de Much Better?
Orlando Lins de Carvalho
Foto de Gerson Martins
Meu caro Orlando,
Agradeço suas gentis palavras, mas na verdade não ganhei nada. Quem ganhou foram meus proprietários. Eu apenas fiz parte de uma equipe, que se não apoiada por aqueles que são os donos do cavalo, a nenhum lugar irá chegar.
Mas, se você me der a liberdade queria fazer uma pequena correção, pois, não sou o Guignone que já meteu quatro no barbante, mas já fiz os meus três GP. Brasil. Faltou, em seu pergunta, o de Thignon Boy que teve uma engenharia de execução planejada, que graças a Deus funcionou. Vou lhe dar apenas uma ideia do que foi.
Na milha e meia, o cavalo treinado no Paraná, sofre rebate para correr no Rio de Janeiro. Isto não é uma opinião. isto é um fato. Ou você chega 40 dias antes, ou não venha. Acho que o Jeca correu muito, para chegar onde chegou, domingo passado. Como já havia notado de há muito este problema, quando adquiri metade do Tignon Boy para o Estrela Energia, trouxe ele 40 dias antes para o centro de treinamento Vede e Preto na serra de Teresópolis e o Jairo Borges, seu treinador no Paraná, colocou seu filho Fabrício para tocar a coisa. E ganhamos.
Diria que a sensação desta vitória foi de sacar o potencial de um cavalo que ganhara os dois preparatórios do GP. São Paulo mas fracassara redondamente na prova que realmente valia a pena e chegar para o seu principal cliente e lhe assegurar que deveria comprar metade do mesmo, e que com isto ele ganharia o GP. Brasil, se mudanças fossem feitas. Funcionou, pois Tignon Boy foi apresentado a meia boca no preparatório, onde se não me engano chegou em quarto, mas na ponta dos cascos onde realmente interessava. Ganhou e nunca deu susto.
Much Better era outra história. Com ele não havia susto. Apenas confirmações. Ele era que nem script do Spielberg: tinha inicio, meio e fim, e o fim era sempre o mesmo e diga-se de passagem, muito bom. Estou a espera de um segundo como ele. Logo, a sensação que sentia quando de suas vitórias no Brasil assim como no São Paulo, nos dois latinos Americanos e no Pellegrini, eram de confirmação. Vibrei muito, pois, o elegi e o adquiri para o TNT a um preço perto do vil. Outrossim, como o goleiro Manga na época em que o Botafogo ganhava constantemente do Flamengo, eu e o João Maciel, gastávamos o bicho antes do jogo...
No Brasil de Belo Action, havia o desafio, pois, como o Aluizio nos lembrou, enfrentamos a um cavalo que não deveria estar no Brasil e com um cavalo que crescia, mas não tínhamos ainda o exato tamanho de seu potencial. Hoje temos. Na verdade Too Friendly é um cavalo da liga norte-americana, que teve o azar de ter que voltar por problemas sanitários. Se o representante do Santa Maria de Araras não está presente, a carreira deste domingo, arrisco a afirmar que teríamos galopado e ganho melhor ainda. Too Friedly fez Belo Acteon se mexer do primeiro ao último segundo.
As fofocas e as malidicências levantadas por sua inscrição ousada, mas baseada no desempenho de uma corrida em 2,000m e em três trabalhos na milha e meia, nos deu aquela satisfação de sentir que apenas nós e alguns, já que um cavalo que deveria por retrospecto para 40-1 e só pagou 18-1, sacamos do que ele seria capaz. Nós e o Duarte que inteligentemente não topou a briga pela ponta, pois, sabia que se assim o fizesse, poderia estar auxiliando a tarefa de Jeca, e talvez nem pedra fizesse.
Falar é fácil e grátis. Fazer é que é difícil e caro.
Renato Gameiro
