HARAS SANTA RITA DA SERRA - BRASIL

HARAS SANTA RITA DA SERRA - BRASIL
HARAS SANTA RITA DA SERRA - CLIQUE NA FOTO PARA CONHECER NOSSO PROJETO

HARAS FIGUEIRA DO LAGO

HARAS FIGUEIRA DO LAGO
NEPAL GAVEA´S CHAMPION 2YO - HARAS FIGUEIRA DO LAGO - São Miguel, São Paulo

HARAS SANTA MARIA DE ARARAS

HARAS SANTA MARIA DE ARARAS
Santa Maria DE ARARAS: TOQUE NA FOTOGRAFIA E VENHA CONHECER O BERÇO DE CAMPEÕES

HARAS ESTRELA NOVA

HARAS ESTRELA NOVA
Venha nos conhecer melhor no Instagram @haras.estrelanova.

HARAS NIJU

HARAS NIJU
toque na foto para conhecer nosso projeto

HARAS FRONTEIRA

HARAS FRONTEIRA
HARAS Fronteira

HARAS ERALDO PALMERINI

HARAS ERALDO PALMERINI
HARAS ERALDO PALMERINI a casa de Lionel the Best (foto de Paula Bezerra Jr), Jet Lag, Estupenda de Mais, Hotaru, etc...

HARAS CIFRA

HARAS CIFRA
HARAS CIFRA - HALSTON POR MARILIA LEMOS

HARAS RIO IGUASSU

HARAS RIO IGUASSU
HARAS RIO IGUASSU A PROCURA DA VELOCIDADE CLÁSSICA - Foto de Karol Loureiro

HARAS SÃO PEDRO DO ALTO

HARAS SÃO PEDRO DO ALTO
HARAS SÃO PEDRO DO ALTO - Qualidade ao invés de Quantidade

HARAS RED RAFA

HARAS RED RAFA
HARAS RED RAFA - O CRIADOR DE PLANETARIO

STUD YELLOW RIVER

STUD YELLOW RIVER
STUD YELLOW RIVER - Criando para correr

JOCKEY CLUB BRASILEIRO

JOCKEY CLUB BRASILEIRO
JOCKEY CLUB BRASILEIRO

sexta-feira, 17 de maio de 2013

PAPO DE BOTEQUIM: A REALIDADE NUNCA PODERÁ ASFIXIAR A IMAGINAÇÃO.

Sempre que venho ao Brasil, convivo com sensações, não muito vividas por mim, que daqui sai em 1987. Tão logo cheguei ao aeroporto de Cumbica, já na espera de minha mala, notei uma população de profissionais do aeroporto feliz, radiante, como que tomada de êxtase e pensei, o Coringão deve ter quebrado o Boca Juniors ao meio. Ledo engano. Felizes estavam todos os demais torcedores de outros times paulistanos. Um policial federal dizia a outro, vou lá para o embarque e todo argentino com a camisa do Boca, hoje vai ter prioridade de atendimento. E o que ouvia assertiva, respondeu. É isto ai! O que me fez ver, que para uma grande faixa da população brasileira, a desgraça alheia é ainda mais importante que o sucesso próprio. E que talvez no Brasil, existisse mais gente torcendo por um tropeço de Black Caviar e Frankel, do que pela manutenção de suas supremacias, se eles fossem de nossa criação ou pertencessem ao cara da mesa ao lado. 

Penso de forma diametralmente oposta. Quanto mais uma coisa estiver próxima de mim, seja de meu presente ou de meu passado, mais torço para que elas possam dar certo, pois, me ajudarão a provar a outros, que meu meio é também importante e por isto  deve ser respeitado. Mas entremos no tema, que quero abordar.

Muitas vezes fui acusado de ser um poeta. Talvez não estejam errados aqueles que assim me rotulam. Porém, sou um poeta que apresento resultados. E em termos de profissionais brasileiros, muito acima da média, que aqui para nós, não é das melhores... E resultados, que para mim me parecem importantes. E por que as coisas assim acontecem? Por que, infelizmente pesquisar pedigrees é uma tarefa árdua, pois eles como as peças que molduram a natureza, não podem de maneira alguma, serem vistos como sólidos e indiscutíveis teoremas matemáticos. Eles são descritos e entendidos de formas distintas de uma forma quase espectral. Eles têm vida, transformam-se com o tempo e afiguram-se perante a aqueles que os tentam entender, como enigmas a serem dissecados e possivelmente explorados, para bens ainda maiores.

Todos que acompanham meu trabalho, sabem de minha euforia e ansiedade perante a literatura. Sou um voraz leitor, mas nem sempre o fui. Acho que foi depois de já estar na faculdade que passei a dar mais valor ao que fora escrito, principalmente, aquilo que ia para as folhas dos jornais. Isto é, o presente. Por isto, meus maiores e certamente primeiros ídolos, tenham sido os cronistas. Aqueles que apareciam diariamente nas folhas de jornais, Castelo Branco, Nelson Rodrigues, Antônio Maria, e tantos outros. Grandes escritores como Machado de Assis, Marques Rebelo, Graciliano Ramos foram por mim descobertos depois. Muito depois. E por que? Por terem forjado a imaginação, daqueles que eu idolatrava. Como nos pedigrees, pelos quais me interessei pelos os presentes de minha época e que me levaram a ir cada vez mais retrocedendo para tentar descobrir as fontes de força, que os impulsionaram e os mantiveram vivos até os dias de hoje. É assim que se formam em sua concepção, os chefes de raças, as matriarcas, enfim, os pontos de força que devem ser seguidos e possivelmente duplicados. 

Abro um parenteses. Sempre vivi em função do mar. Nasci em frente a ele e cresci brincando às suas margens. A praia, como para a grande maioria dos cariocas de minha geração, foi o meu quintal. E um dia li, uma descrição do mar, de um escritor que até então não conhecia e que dali para a frente passou a ser um dos que segui mais de perto: Lucio Cardoso. E o descobri, depois dele já não mais existir. Outrossim, para mim, que conhecia como poucos o mar e o via como algo sereno, indômito, livre, de repente a descrição feita por Lucio Cardoso, me fez ver, que como nos pedigrees, existem muitas formas de descrever e compreender qualquer coisa à sua frente, que não seja um teorema matemático. Vejam como Lucio Cardoso, sentia a presença do mar.

... Não sei por que tantos julgam que o mar é o símbolo da liberdade, vendo-o agora da minha janela, percebo-o como uma grande coisa aflita e aprisionada, lançando-se sem descanso contra esses carcereiros, imóveis que são os rochedos. Nada mais plangente em sua eterna queixa, em sua prisão perpetuamente pelos ventos da distância...

Está certo que o mar sempre assusta aos mineiros. Trata-se de um monstro que não faz parte de suas infâncias. Mas a forma como Lucio Cardoso coloca avalia situações reais, as quais eu nunca me dei conta. Os rochedos e até as praias delimitam seu território. O mantêm preso a uma área, embora ele seja o senhor de 2/3 da esfera terrestre. E o mar tenta incessantemente invadir, porém, uma força maior o trás de volta, qual uma fera acorrentada. Por incrível que possa parecer, é assim que devemos analisar os pedigrees. Como uma força acorrentada. E mais, tendo em conta, que tudo possa ter um sentido e que vários são os graus de importância. Como nas marés do dia a dia e nos esparsos maremotos. Fecho o parênteses, na certeza que possa não ter sido entendido.

Da mesma forma que qualquer escritor navega nas incertas águas da estilística, tateando um universo de possibilidades temáticas, aquele que estuda pedigrees em seu âmago, procura nas entrelinhas de uma estrutura genética, aquilo que considera válido e funcional. E isto tudo, para como sempre aqui alertei, ter uma chance de um dia alcançar uma provável situação modelo de 30% de acerto.  Realidade? Imaginação?

A realidade nunca poderá asfixiar a imaginação. A imaginação é tudo. É dela que se parte, para se atingir a realidade. Mesmo para Albert Einstein, a imaginação era mais forte que o conhecimento. E é isto que o criador brasileiro deve ter em mente. Criar, seja uma tela, um poema, um livro, uma sinfonia, um projeto arquitetônico,  um jardim, um paladar distinto ou mesmo um cavalo de corrida, é um ato sublime de imaginação.  E quanto mais intensa for esta imaginação, maior serão as chances de se criar uma realidade insofismável. Digna de ser aplaudida e copiada.

Temos que viver o presente, todavia, de olho nos ensinamentos do passado. Evidentemente, que a preocupação maior, tem que ser aquilo que você faz, neste exato momento. O presente. Aliás, diria que o futuro, nada mais é do que uma contingência do presente, que chega logo. Afinal o segundo seguinte, já é o futuro.