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quinta-feira, 16 de maio de 2013

PEQUENO PAPO DE BOTEQUIM: DICK HERN

Sempre existe alguém, que vem a mim, e pergunta onde eu aprendi as coisas que acredito saber sobre o turfe e a criação daqueles que são o seu centro de ação, os cavalos de corrida. E a todos, respondo, na vida. Sim, lendo, ouvindo, conversando e observando. Não existe outra forma de fazê-lo. A vida o ensina a andar a falar. Ela lhe ensina também a crescer a formar-se em algo. Evidentemente que em outras profissionais existem faculdades. Para o turfe não. Você tem ou que ter antecedentes na família, ou como eu, interessar-se e sair abrindo o seu caminho por ai.

Sempre acreditei que a vida tem que ser vivida. E para que seja bem vivida, tem que ser curtida, e nada melhor do que levar a vida fazendo aquilo que você ama.

Aprendi muito do pouco que sei, descobrindo pelos resultados, quem eram os grandes nomes ao redor da pista. Aqueles que poderiam de alguma forma contribuir para o meu aprendizado. E sempre que localizava um, e dele me aproximava, já tinha o meu dever de casa feito, pois, você só obtém uma boa resposta, perante a qualidade de sua pergunta. Esta é a forma que encontrei de não só erigir como sedimentar seus conceitos. Aqueles que uso para ajudar a meus clientes na seleção de suas matrizes, reprodutores e corredores.

Newmarket é um lugar próprio para se vender cavalos de corrida. Não é o mais fácil, outrossim, aquele que lhe propicia mais tempo. Em Keeneland, tudo é corrido e não há o menor segundo a perder. lembro-me que um dia vi Dick Hern, sentado em sua cadeira de rodas a ler o catálogo, junto ao paddock de apresentação dos elementos a serem vendidos. Sabia de sua fama, de pessoa de poucas palavras e que depois de ter se aposentada, de sua negativa em fazer entrevistas. Sai dali direto para uma biblioteca e num final de tarde até a alta madrugada procurei ler tudo que me foi possível sobre ele e seus cavalos. No dia seguinte aproximei-me dele, apresentei-me e perguntei se ele poderia me dar 15 minutos de seu tempo. Não se tratava de uma entrevista e sim do prazer de com ele conversar por este período. Ele sorriu, e disse que se não era um entrevista e apenas uma conversa, que me daria 20 minutos e me cobraria um chá.

Dick Hern, ganhou16 dos chamados clássicos ingleses, assim distribuídos: quatro Guineos, três Oaks, três derbies e seis St. Leger. Foi champion trainer em quatro oportunidades. Treinou para raínha, sendo a meu ver senão o profissional que mais importantes vitórias a ela trouxe, aquele que não foi suplantado por nenhum outro. E em momento algum, comentou o fato de ter sido destituído do seu cargo de forma tão deselegante como o foi, convalescendo de um ataque do coração, em dezembro, quando as coisas estão quietas - em termos de treinamento - na Europa. Dois anos antes, havia sofrido um sério acidente de caça, que o obrigou a ter que se utilizar de uma cadeira de rodas.

Conversamos e recordo-me que vários conceitos aprendi, daquele que havia treinado Dayjur, Troy, Nashwan, Brigadier Gerard, Dumfermline, Bustino, Highclere, Sallust, Sun Princess e tantos outros. Fiz anotações, que não mais as achei, outrossim, usando de minhas lembranças, posso trazer a baila aqui alguns aspectos deste impressionante profissional.

Seu conceito de treinamento era bastante semelhante ao meu de vida. Para ele, você não deveria ser duro com seus cavalos. Pois, se você não gostava de ser duro consigo mesmo, por que então fazê-lo com os outros, fossem eles pessoas os cavalos? Disse ele; eu me sempre me coloquei na posição de um animal. Eles tem que correr, pelo prazer de fazê-lo, pois, para isto foram feitos e desenvolvidos. Mas nada em sua vida pode ser uma obrigação e sim um desfrute.. Eu vivi toda a minha vida com cavalos. Eu os vejo todos os dias. Gosto de mante-los em forma e felizes. Por isto me afastei de Newmaket, que é para mim um lugar mágico para se treinar cavalos de corridas, mas muito concorrido e isto tira um pouco a atenção do animal. Em West Ilsley tinha toda a tranquilidade que necessitava. prefiro treinar meus cavalos em descidas do que em subidas. esta foi a forma que encontrei de manter meus animais frescos , suaves e felizes.

Evidentemente que grande parte da minha quase meia hora, com o Major - como ele é conhecido em Newmarket - se deveu a Brigadier Gerard e soube por seu intermédio certas peculiaridades sobre este cavalo, que sempre havia considerado como um dos maiores já corridos em minha era.

Brigadier Gerard, não gostava do soft, e nas duas vezes que teve que lutar muito para vencer a adversários, que eram considerados várias libras inferior a ele, o fez, em pista neste estado. Ele me deu como exemplo o St. James Palace Stakes, por ele vencido à cabeça sobre Sparkler, este com os serviços de Lester Piggott. No ano seguinte, na mesma pista e distãncia, quando da disputa do Queen Elizabeth II Stakes, ele enfrentou novamente a dupla Sparkler/Piggott em pista firme, o bateu por mais de seis corpos, ficando a frações do recorde da aquela que nominou a Dog-legged Old Mile. Existem cavalos que não suportam o terreno anormal,  outros adoram. Em outra oportunidade ele quase perdeu para Rarity no Champion Stakes. A diferença foi a nosso favor de meia cabeça. Mas Rarity era um corredor que agigantava-se na pesada, característica que certamente herdou de seu pai Hetthersett.

Quando lhe perguntei a que atribuía a constãncia em Brigadier Gerard, ele me disse, que Brigadier Gerard adquirira a constância física de seu pai Queen's Hussar. A locomotora de sua quinta mãe, Pretty polly. Coube a ele apenas, adequar a mental as duas pré-existentes.

Sempre correu pelo mundo a hipótese de Roberto estar medicado no dia em que bateu a Brigadier Gerard, no Benson and Hedges Gold Cup de York, em 1972. Afirma-se que existem ainda, amostras congeladas do sangue do derby winner, para que um dia possa ser descoberto o que a ele foi dado. Em nossa conversa, em momento algum, o major comentou o fato de ser ser esta a razão da única derrota sofrida por Brigadier Gerard em seu curriculo de 17 vitórias. para ele, a vitória na milha e meia do King George, foi a verdadeira razão. A milha e meia estava acima das aptidões naturais de Brigadier. Ele ganhou em Ascot, por ser um cavalo altamente diferenciado. Em York, talvez não estivesse 100% como eu suspeitava que estivesse, e querendo ou não, Roberto era um grande cavalo de corrida, que em seus melhores dias, era difícil de ser batido.

Para ele depois de Brigadier Gerard, Nashwan foi o cavalo que mais brilhantismo lhe demonstrou. Teve pena de não ter tentado a tríplice coroa, sendo levado a correr o Niel, em Longchamp, que acabou se transformando em sua única derrota. Teria ganho em Doncaster, e acabou que nem o Arco, corremos. Entre as suas tristezas, ter presenciado Dayjur perder uma Breeders Cup Sprint, ao saltar duas vezes sombras no hipódromo de Belmont Park.

Entre as maiores felicidades que teve em sua vida profissional, ele salientou que duas eram muitos especiais. A primeira de ter tido o privilégio de ter treinado Brigadier Gerard. E a segunda de ter ganho o St. Leger, para a Rainha, com Dumfermline, impetrando a única derrota a um cavalo que posteriormente viria a ser um dos poucos a ganhar duas versões do Arco, Alleged.

Sai dali, confortado e imaginei que ano ano seguinte, novamente com um chá e uma boa conversa poderia conseguir do Major, mais respostas e um dia, com sorte, transformar tudo em uma entrevista. Infelizmente não houve ano que vem, pois, aos 81 anos de idade o major faleceu em Oxford, onde residia.


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