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quinta-feira, 16 de maio de 2013

PERGUNTA DO LEITOR: PRECOCIDADE.

RENATO,

NÃO TENHO LIDO NADA DE VOCÊ SOBRE PRECOCIDADE. ESTARIA ENTRE AQUELES QUE NÃO DÃO BOLA PARA ISTO?

CARLOS DUQUE ESTRADA

CARLOS,

Acho de suma importância a precocidade. O problema é que ela não se forma. O cavalo nasce ou não com ela. E por isto, a a procura da precocidade forçada, as vezes elimina com potenciais grandes corredores, que não as possuem e são obrigados a tentar nas manhãs, pois, certos treinadores e muitos proprietários assim o querem. Sou ainda daqueles que penso que é o cavalo que diz, quando esta pronto. O bom treinador, observa, capta e só então o leva a correr.

Precocidade também engana. Eu, por exemplo, me achava precoce. Comecei a ler aos quatro anos e aprender piano aos sete. Pois bem, eu não era. Imagine você que o grande compositor francês Camille Saint-Saens  já podia ler e escrever aos dois anos de idade. Pouco depois de completar três anos, iniciou o processo de composição musical. Aos cinco deu o seu primeiro recital. Aos sete era fluente em Latin e demonstrou interesse em botânica. E aos 10 anos deu um recital onde provou que podia tocar as trinta e duas sonatas de Beethoven, sem ter que se utilizar das partituras. Tudo no ouvido. O problema é que o conhecimento e a técnica vieram a ele de forma tão rápida, que virtualmente extinguiu grande parte de sua inspiração. este é o grande problema que aflige os precoces.

Certos cavalos muito exigidos aos dois anos, perdem a alegria de correr antes mesmo de chegar aos três. Sem contar os que mancam, pois, ainda são atletas em formação. Uns são precoces pelo tamanho. Crescem mais rápido que os outros e exercem uma certa superioridade em pista, produto na verdade de sua superioridade em tamanho. Logo, é uma falsa precocidade. Um cavalo pode ser tardio, por precisar mais tempo para acertar sua mente, ou ter a capacidade de fazer seu pulmão funcionar com mais rigor. Enfim, existem enumeras situações onde a precocidade pode ou não se caracterizar.

Confesso, que nunca nutri um maior respeito por aquele que só venceram - ou demonstraram sua mais forte capacidade locomotora - aos dois anos. Para mim, a campanha de três é fundamental, pois, teoricamente ali todos os cavalos já estão com um alto grau de formação. Há a chance do confronto contra os de mais idade. E a campanha dos quatro, embora não tão importante quanto a de três, apenas solidifica o conceito que você assumiu de um cavalo quando ele era ainda um três anos. Frankel é Frankel, pois venceu em todas as suas etapas.

Tchaikovsky, estudou para ser advogado, trabalhou no Ministério de Justiça, e só depois de 20 anos de idade, que é que resolveu assumir a música, como sua grande vocação. Não foi precoce, mas chegou lá. E aqui entre nós, eu aprecio mais a obra do o russo que a do francês.

Desta forma, acho licito afirmar, que precocidade é importante, mas não quando ela se transforma numa arma letal contra o próprio cavalo. Para mim, muito da perda substancial de classe no turfe norte-americano se deve ao exagerado apreço para com a precocidade.

Espero que isto resposta a sua pergunta.

Abraços
Renato