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quarta-feira, 22 de março de 2017

PAPO DE BOTEQUIM: OH HORROR, OH HORROR


Vou contar outra historinha, Eu tinha por volta de 20 anos e arrumei uma namorada, que era linda, mas gostava mais de cinema noir, do que propriamente de mim. Mas como ela valia qualquer esforço fui obrigado a assistir, e fingir ter gostado dos filmes de Godard, Bunel, Visconti, Dassim, Malle, enfim filmes uns antigos e outros novos, uns até já não mais considerados film noir, mas em preto em branco, onde a divagação tomava o lugar da ação. O cara entre uma longa baforada e outra, suspirava uma palavra e a plateia extasiava-se.

Mas a coisa não ficava por ai, saidos do cinema, ela se reunia, com outras pessoas que coadunavam de seu interesse pelo noir, no primeiro boteco que aparecesse, e embrenhava-me a ouvir observações, que me levavam a crer que nossa geração estava perdida.

Um dia, um magrinho, com sérias tendências homosexsuais, estudante de filosofia, notou numa destas reuniões, que eu nada falava, apenas observava e de vez enquanto esboçava um sorriso, para parecer presente e acordado. Ele com aquele nocivo aspecto intelectual, me perguntou qual o filme que fora de meu maior gosto, Eu sabia que se respondesse Ben Hur, seria apedrejado e então soltei La Grand Illusion, um filme que Tereza me obrigara a ir, sobre as atrocidades cometidas na primeira guerra mundial. Nunca me esqueço que o diretor era Renoir, e graças a Deus não perguntei a ela se era o pintor. Fui aplaudido por uma alcatéia de malucos, como tivesse acabado de descobrir a roda.

Ai, o carinha, voltou a cena e me perguntou o que mais me agradara no filme e eu respondi laconicamente que tudo. Para um bom entendedor meia palavra basta, todavia, para aquele aprendiz de Andy Warhol - com quem tinha bastante semelhança fisica - não, e ele voltou a carga sedento por explicações. Enchi o saco e disse que embate nos campos da Bélgica me lembravam a corrida de bigas de filme Ben-Hur. Perdi as estribeiras e de quebra a namorada. 


Passaram-se quase dez anos, eu ja casado, fui com Cristina assistir a Apocalipse Now, que era a coqueluche do momento. Haviam controversias. Gente que saia no meio do filme e outros que aplaudiam de pé ao final do mesmo. E não é que fui dar de cara com o aprendiz de Andy Warhol no salão de espera, e sem que eu pudesse deviar-me dele estendeu a mão para Cristina e a seguir para mim, e com aquele seu humor citrico, que depois do filme, gostaria de saber minha opinião , se as cenas do filme, seriam comparáveis com a corrida de bigas do Ben-Hur.

Pois bem, fui dos poucos presentes que gostei do filme, um filme que mecheu com o brio do povo norte-americano, Primeiro por eles não terem ganho a guerra, e segundo pelas atrocidades cometidas pelos soldados contra um povo que lutava por seu pais. O norte-americano não vai esquecer tão cedo do Vietnam, como os alemães o fizeram com Adolfo Hitler. Quem escreveu isto foi Paulo Francis e estava coberto de razão.

Aonde quero chegar? Vocês entenderão, logo, logo. Evidentemente que o filme foi mais brutal, que La Grand Illusion e da corrida de bigas de Ben-Hur, e Coppola que vinha do excepcional  Godfather, ainda se deu ao luxo, de fazer film noir nas cenas de Marlon Brando. Cenários as escuras,  (dizem que por exigência do ator, que se encontrava gordo e fora de forma). Ele, Marlon Brando, falando coisas pausadas e que dificilmente eram entendidas, enfim, eu acredito que o aprendiz de Andy Warhol, estivesse convulções em sua poltrona de extase, enfim, tudo muito estudado em seus minimos detalhes. Porém a cena que mais me marcou, propriamente não foi a cavalaria de helicopteros ao som das cavalgadas das Valquiria, chacinando um vila em uma praia, pelo simples fato dos soldados quererem surfar, e que tenho certeza de ter sido a cena que marcou a maioria, nem mesmo a cena das coelhinhas do playboy quase sendo estrupadas por soldados drogados, uma cena que no final dos anos 70 era chocante, mas que hoje já vi coisa pior, nas novelas da Globo. Foi a morte de Marlon Brando.

Quando Marlon Brando morre, aliás esta era a linha central do filme, o governo norte-americano querendo acabar com um dos seus, que não mais estava lendo pela cartilha, foram na verdade suas ultimas palavras sussuradas, antes de ir-se; o horror... o horror...

Durante anos isto ficou em minha cabeça, e só depois, vim a descobrir,  lendo T. S. Elliot, tratar-se de parte de um texto seu chamado, The Hollow Man. Para terminar, soube que o aprendiz de Andy Warhol,  morreu de Aids - o que provava a minha tese inicial sobre suas tendências. Tereza, casou com um Major do Exército, teve três filhos e está gorda que nem um rinoceronte, e eu, tirando Felline, faço o perfil Steven Spielberg.

Quando eu resolvi contar a meu pai, que largaria a Arquitetura para me especializar em cavalo de corrida, sua expressão tornou-se a mesma de Brando, antes de morrer no Apocalipse Now. E suas palavras, iguais: que horror...que horror. Como meu pai nunca leu Elliot e muito menos assistiu a Apocalipse Now, fiquei impressionado. Senti-me, ao invéz de amendontrado, mais encorajado. E foi o que fiz.



Gosto de ver cavalos de corrida. Chego ao extremo de me sentir melhor ao lado deles, do que com muitos especimes humanos. George Blackwell me disse uma vez, que cavalos falam com você, a maneira deles. Nunca consegui ver a alma de nenhum e muito menos ouvi algo que dissessem, mas mesmo assim, não me sinto frustrado. Continuo a fazer o meu dever de casa com afinco e de vez em quando tenho nota máxima na prova.

Inspecionar cavalos lhe ensina, que todos ele, tem quatro patas, duas orelhas e uma cabeça. Mas a forma com que elas se encaixam, determinam um desenho, que dentro da lei das proporcionalidades, o agrada mais ou mesmos. Poucos foram os cavalos desequilibrados, que corriam muito. Northern Dancer era pouco a mais do que um poney, outrossim, como seus filhos Lyphard e Nureyev, harmonioso e proporcional. Moral da história: correu muito e produziu mais ainda.

Tem gente que cria em sua cabeça um tipo de cavalo.  Um modelo. Eu confesso que não. Pode existir beleza no de 480 quanto no de 420, pois, cavalo não é boi. Agora o melhor cavalo de todos, é aquele que parece que não é grande, mas o é. Como assim? Um cavalo quando está perfeito em suas proporções, parece menor do que realmente é. Nesta minha visita, vi dois, que me pareciam médios, mas quando deles me aproximei descobri que sua cernelha estava acima da linha do horizonte de meus dois olhos. Much Better era assim. Gloria de Campeão, também.

Como na fórmula 1, cavalo tem que ter um desenho, que o faça estar pronto a responder a velocidade emanada de seu interior. E que aguente o tranco, pois, estou sentindo na Gávea, que a pista está cada dia mais traiçoeira. Posso estar enganado, mais o número de trocadas de mão, na reta, me parece hoje maior do que anos atrás. Confiram a partir de agora, em carreira não destinadas a matungos, o que estou afirmando agora. Matungo não se esforça, nem quebra, corre a cinco anos sem vitória com a passividade de um monge tibetano, certo que no final daquele dia, recebera seu jantar como sempre foi parte de seu cotidiano..

Alonguei.me o suficiente. Hora de abortar o texto e o faço com um Oh Horror, Oh Horror,,,