Não digo que tenhamos no turfe um complexo de vira-latas. Mas algo para mim soa como um caipirismo atávico, quase corporativista, tal a forma e a intensidade como ele se externa. Verdadeiramente não acreditamos do que somos capazes E não adianta eu me esgoelar aqui, que fisicamente nossos cavalos não devem nada ao coetaneo do hemisféio norte, que nada há de mudar.
Até bem pouco tempo tanto Austrália quanto Japão tinham uma genética inferior. Que fizeram eles? Apostaram em estruturas genéticas, em linhas maternas e trouxeam bons cavalos de pista, mas que os grandes protetorados de criação mundial, não demonstaram em momento algum, o minimo interesse de se utilizar. Sir Tristram aceito ter sido uma exceção. Todavia, Danehill e Sunday Silence foram dois elementos, inicialmente desprezados nos grandes mercados. Porque? Não sei.
A Juddmonte vendeu Danehill e a Arthur Hancock III lutou mas não conseguiu sequer sindicalizar Sunday Silence. Enquanto isto tanto Nashwan quanto Easy Goer receberam todo o beneplácito do mercado. Acho que tanto Nashwaw quanto Easy Goer deveriam receber as chances que tiveram, mas Danehill e Sunday Silence também.
Pois bem Australia e Japão hoje, tem a sua merecida fatia do bolo do mercado, graças a estes dois cavalos que no breeding-shed, superaram todas as expectativas. Mesmo as mais otimistas. Eles não só exerceram grande influência não só em seus mercados locais, como também na atividade como um todo. Danehill é sucesso mundial. E acredito que Sunday Silence dá os seus primeiros passos para também o ser.
O invicto Saxon Warrior nasceu no Japão, assim como Ribot o fez na Inglaterra. Porém eles são genéticamente concebidos no cerebro de um irlandes e um italiano. E isto para mim é o que vale, pois, ainda não fui atacado pelo caipirismo atávico. Aquele que na ignorância da questão, acredita que só do bom com o bom, há de vir o melhor, pode enganar para todo o sempre. mas eu pergunto, e os resultados? Este caipirismo atávico é algo que nós temos entranhado em nossa viceras, de épocas antigas, desde o nosso descobrimento. Vitimas que fomos de uma calmaria... Uma burrice crônica dominada pelo caipirismo que relatei,
Se o Japão e a Australia podem fazer, e a Itália um dia fez, porque nós não podemos igualmente aspirar em participa deste clubinho? Capacidade empresarial e dinheiro, garanto a vocês, não faltar a aqueles que dominam o nosso quadro de proprietários. Gente bem sucedida na vida, capaz de enfrentar desafios, a meu conceito, bem maiores. Porém, para se subir os degraus tem que se tentar e quando já está lá encima, no topo da escada, para se manter, tem que se reeinventar.
E eu acho que a Coolmore se reeinventou. Nao impotava o resultado que o Derby podeia ter. Pensem, um grupo que chegou a construir uma imagem de Be My Guest como simbolo de um inicio, hoje pode se dar um luco de lenatar outras de Sadles wells, galileo e a lista poderia se tonar interminável. Sua coragem, conhecimento e imaginação os tornaram bilhantes. É um reeinvento.
Saxon Warrior perdeu. Foi quarto sem nunca mostrar do que esperava-se dele. Seu jóckey foi altamente incompetente, mas isto não garante que se ele fosse brilhante que o filho de Deep Impact iria vencer. Para mim Masar provou ser o melhor da tarde e não sei se sua mecãnica de movimentos é perfeita ou sua velocidade tática é exuberante. O que sei é que ser um descendente direto de Urban Sea e ainda mais duplicado nela, tem que ter algum valor genético. As duplicações em Northern Dancer e Ahoonora, evidentemente que não atrapalharam
Nosso caipirismo atávico, se manterá corporativo para o resto de nossos dias, não propriamente em achar que a razão de um cavalo ser diferenciado, por ter velocidade tática ou mecãnica perfeita, mas sim em pensar que não são as estruturas genéticas, as duplicações e a linha materna, que criam no produto este tipo de velocidade tática e esta mecânica perfeita. Pois, neste caso, o ovo veio antes do pinto!
Vejo-os no Brasil.


