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domingo, 3 de junho de 2018

PAPO DE BOTEQUIM: TEREMOS UM EMBATE ENABLE X CRACKSMAN?


Eu não sei se Cracksman correu menos. Se Dettori o levou com excessiva confiança. Ou que simplesmente ele não estivesse no melhor de seus dias. Para mim, mero observador a distância, o que interessa é que assisti a um cavalo superior que se negou a perder. Foi buscar, lá no fundo de suas entranhas. e no último pulo algo de muito especial: uma vitória que para muitos - inclusive eu - no meio da reta causava dúvida a todos. Pouco se falou na atuação do brasileiro Silvestre de Souza, no dorso, aquele que quase rouba a carreira de Cracksman. Sua "joqueada" foi de principe. Uma pergunta curta e grossa. No Brasil, porque nunca chances foran dadas a este profissional? Mas isto é outro assunto.

Eu dou muito valor ao cavalo que ganha na adversidade e mesmo  o que perde, vendendo caro a sua derrota. Ele denota uma vontade de não perder. Ao mesmo tempo, a vontade de vencer é para mim, o maior atributo que pode ser distinguido num cavalo de corrida, assim como sua incapacidade de ganhar, seu maior defeito. 

As vezes o excesso de classe o leva a parsimonia. E aqueles que estão apenas um degrau abaixo, se transformam na hora do vamos a ver. Vide Sunday Silence. E tomem como prova o que fez reprodutivamente em comparação a Easy Goer, que na minha opinião - e na de muitos - era possuidor de maior classe em pista. Não é o caso de Cracksman, que pelo menos a meu modo de ver, provou pertencer ao patamar de cima. Outrossim, ainda tenho dúvidas se o seria também na milha e meia?

Ano passado John Gosden, seu treinador, visivelmente evitou o confronto dele com sua outra pupila, Enable. A ele ficou o encargo de disputar as provas de meia distância e a ela as da distância clássica. Preservar em um mesmo barn, dois cavalos do quilate de Enable e Cracksman, é uma tarefa dificl para qualquer treinador, principalmente se os proprietários destes animais, sonham com as mesmas coisas. E asseguro-lhes que o King George e o Arco, são sonhos mutuos, pois, ambas as carreiras são as cerejas de um bolo, confeitado especialmente apenas para alguns: os bem aventurados. Fazer apenas baulho, não necessariamente prova movimento, é preciso se disputar e se possivel ganhar as grandes provas do circuito. Não tenho o menor resquicio de dúvida que Frankel, o pai de Cracksman, na cabeçã de Sir Henri Cecil, seu treinador, era um milheiro. Mas ele foi quase que obrigado a extendê-lo, para então provar sua grande supremacia e assim foi obrigado a ir aos 2,000 metros. Mas na milha e meia, falo apenas no faro, dificilmente ele chagaria a milha e meia.

Cracksman, por questões de pedigree deveria se um outro milheiro, já que tanto seu avô materno Pivotal, um reconhecido sprinter-flyer, como o pais de suas segunda e terceira mães, Green Desert e Be My Guest, igualmente não tem características para atingir a distância, chamada clássica. O primeiro tratava-se um genuíno sprinter e o segundo um médio, milheiro. Logo só o fato de Cracksman se firmar nas distâncias médias,  de provas de alto padrão técnico, para mim, já prova a sua grande capacidade clássica.

Na sexta, confesso que ele paeceu paa mim, um cavalo batido a 400 metros do disco. Dettori o trouxe para a cerca - no caso externa pois parecia ser este o melhor terreno a se trilhar naquela tarde em Epson - e ele achou forças de não sei aonde. Se seu adversário fosse um elemento mais conceituado, eu teria sérias dúvidas se a tarefa poderia ter sido completada com sucesso.

Não tenho nem nunca tive a pretenção de colocar rótulos em quem quer que seja. Do jogador de futebol ao cavalo de corrida. Muitas vezes a gente se perde, quando divindades sugem no horizonte e  ainda por cima, sempre existe aquele erro que procuro não cometer de compara-las. Cracksman, é um cavalo diferenciado, que sábado demonstrou - pela primeira vez - uma possivel vulnerabilidade, numa distância que oficialmente correu pela primeira vez. Então pergunto. Valeria a pena ele arriscar-se a enfrentar Enable em um King George?